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Um país bordado à mão

Cultura / Destaques / 22 Abril, 2015

donna-karan-1024 maxresdefaultNum mundo dominado pelas máquinas, estará o “handmade” em vias de extinção? Um artigo recente do portal de moda The Business of Fashion lembra a importância do trabalho manual e do papel dos artesãos nas coleções das principais casas de moda internacionais. A Índia como fonte do artesanato serve de fio condutor.

No ano de 2015 e em todo o mundo, a beleza e sabedoria cultural do artesanato milenar pode estar à beira do fim. Artesãos qualificados tornaram-se numa espécie em vias de extinção, à medida que os mais novos se afastam destas profissões e a mecanização prolifera. O que permanece são as pequenas empresas familiares, sem os recursos financeiros para atrair e desenvolver novos talentos e sem as habilidades para criar modelos de negócios sustentáveis.

Bandana Tewari, diretora de moda na Vogue India, fala dos artesãos daquele país e da sua contribuição para a moda de luxo, no seu artigo divulgado pela The Business of Fashion.

Seja Lanvin, Gucci, Chanel ou Alexander McQueen, «cada uma destas marcas teve, num ou noutro momento, mergulhada no vasto reservatório de artesanato da Índia», pode ler-se.

O país dos marajás emprega aproximadamente 34,5 milhões artesãos. No entanto, esta comunidade é predominantemente rural e trabalha em casa.

«Na minha opinião, a resposta para salvar esses artesãos encontra-se numa mudança fundamental de perspetiva: o reconhecimento de que existe um ser humano por trás de toda a “handmade” de qualidade», revela Tewari.

«O uso de artesãos – tecelões, bordadeiras e tudo o resto – é bom pura e simplesmente pelo que significa para aquela gente: subsistência», destaca.

Nos países em desenvolvimento, como a Índia, Camboja, Quênia e Indonésia, a remuneração proveniente desse tipo de trabalho torna-se necessária.

A marca Donna Karan, através do seu contributo para o Haiti Artisan Project, tornou-se embaixadora para a preservação e apresentação da arte do Haiti ao mundo ocidental.

Já a Maiyet está empenhada em envolver os artesãos de comunidades em desenvolvimento em países como a Colômbia, a Índia, a Indonésia, o Quênia, a Mongólia e o Peru.

Ao colaborar com diferentes regiões para criar coleções com tecidos e técnicas indígenas e, em seguida, apresentá-las durante a Semana da Moda de Paris é «desmascarada a falácia de que a alta moda urbana não pode ser emparelhada com o artesanato rural por causa do controlo de qualidade e outros desafios ao longo da cadeia de aprovisionamento», advoga Tewari.

Numa missão para ajudar os tecelões de seda de Varanasi a chegar ao mercado, Nest, uma organização sem fins lucrativos dedicada à formação e desenvolvimento das empresas artesanais, colaborou com o salão de tecidos parisiense Première Vision para produzir “Loom to Luxury”, uma coleção de sedas trabalhadas à mão. Esta foi depois levada às casas de luxo, incluindo Oscar de la Renta, Phillip Lim, Jean-Paul Gaultier e Maison Margiela.

«É este o tipo de colaborações que é necessário desenvolver a fim de preservar o artesanato de forma responsável. Intervenções que coloquem os artesãos junto dos designers ou, pelo menos, que estes possam ter recursos para haver uma igualdade de condições. Tal situação poderia trazer um renascimento às indústrias de artesanato de todo o mundo», conclui a editora de moda.

 

 



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