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Telas em branco

Destaques / Tendências / 16 Novembro, 2015

andreacrews-1 CHA_0520 Givenchy-RTW-FW15-Paris-8607-1425843345-bigthumb-770x1155O estilo parisiense tem sido reinterpretado por diferentes gerações de mulheres à escala global, não somente pela classe que confere mas, também, pela sua capacidade de adaptação à passagem de estações. Intemporalidade, talvez seja essa a sua principal desambiguação. Esta falta de comprometimento com as leis do tempo não é um exclusivo dos coordenados e maquilhagem de despretensiosa elegância e estende-se, também, à cútis.

O “french chic”, termo cunhado por Coco Chanel (ver Perdoe o meu francês), consta em qualquer dicionário de estilo feminino como inspiração e, até, como meta.

Depois de Coco, mulheres como Brigitte Bardot, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Carine Roitfeld, Isabel Marant, Emmanuelle Alt ou Caroline de Maigret procuraram manter viva a memória da fundadora da icónica casa de moda, perpetuando a cobiça em torno daquele “je ne sais quoi” que remata qualquer coordenado.

A par da selecção de guarda-roupa e do cabelo apanhado combinado com eyeliner e batom vermelho, outra importante ramificação tem vindo a merecer destaque, ainda que, no final do dia, se possa considerar uma consequência natural da intemporalidade subjacente ao estilo parisiense.

 

Pele imaculada

Maroussia Rebecq é fundadora da provocadora marca parisiense Andrea Crews, famosa pelas suas propostas streetwear de vibração andrógina. Porém, ainda que a passerelle de Rebecq seja um contínuo convite à provocação, o maior ato de rebeldia da designer é o menos visível. «A minha pele é uma tela em branco. Sem piercings, sem tatuagens. As minhas roupas mudam frequentemente, mas a minha pele não pertence a nenhuma época», revelou ao The Guardian.

As tatuagens, tal como os piercings, eram habitualmente entendidas como um sinal de contracultura – um redondo e completo “não” no local de trabalho parisiense. Mas nos últimos anos, começaram a receber aceitação na moda e alcançaram o mainstream – desde as costas tatuadas de Cara Delevingne na campanha da Chanel à tatuada Catherine McNeil nos anúncios da ultraclássica marca de lingerie Eres.

Adeline Amiel-Donat, relações públicas parisiense, afirma que «para quem trabalha em moda, atualmente é mais difícil dizer que não se tem uma tatuagem do que explicar por que motivo se tem uma», acrescentando que as tatuagens «evoluíram de uma expressão de diferença, para uma marca hipster, para um sinal de homogeneidade».

Ainda assim, por mais bizarro que possa parecer, não ter tatuagens é, actualmente, a derradeira tendência nos círculos de moda franceses e tem inclusivamente um termo que a resume: “être blank” (ser branco). Talvez resulte esta nova direção de uma falta de personalidade nas tatuagens em voga, duplicadas até à exaustão.

A modelo e musa da Chanel Caroline de Maigret não tem quaisquer tatuagens ou piercings na sua imaculada cútis, considerando que encontra algum radicalismo tanto em «estar completamente coberto, como o contrário», acrescentando que não tem sequer as orelhas furadas.

A par das tatuagens, os piercings experimentaram igual popularidade em desfiles de moda e campanhas publicitárias, recorde-se a passerelle da Givenchy para apresentação da coleção outono-inverno 2015/2016, onde os pesados piercings de septo adornaram as modelos ou o piercing no nariz de Daria Werbowy para as campanhas da Isabel Marant.

No entanto, as mulheres parisienses mantêm o seu movimento contracorrente, afastando a sua pele de perfurações.

No final do dia, o tipo de tatuagens e piercings vistos na Cidade Luz acaba por seguir as regras básicas do estilo francês: discreto, elegante, dispendioso e impecavelmente executado, longe de ligações com um qualquer erro da adolescência ou ato de rebeldia.

 

Sem-limite

Por norma, qualquer mulher parisiense se esforça para que o seu estilo transcenda tendências e relativize a noção do tempo.

Ao contrário das adolescentes americanas e inglesas, aquelas não pintam o cabelo de verde, antes se começam a vestir como as mães desde cedo (e as mães acabam por se vestir, também, como as filhas – veja-se o exemplo da campanha da Comptoirs des Cotonniers com Charlotte Gainsbourg e a filha em semelhante estilo).

Até há bem pouco tempo, as tendências raramente encaixavam na forma de vestir parisiense, muito em parte pela sua efemeridade. Em última análise, as tatuagens acabam também por sucumbir face às tendências (caracteres chineses em 2000, âncoras em 2010) e, ao rejeitá-las, as francesas reclamam o seu nível de feminilidade, totalmente pessoal e eterno.

Para Valentine Petry, editora de moda e jornalista colaboradora na Elle France, este é também um resultado do consumismo «se consegue ser-se aceite em qualquer lado com ela e removê-la provavelmente uns anos depois, é pouco mais do que um ornamento, desprovido de verdadeiro significado», aponta, sugerindo que as mulheres francesas estão a tornar-se cada vez mais conscientes do impacto da sociedade de consumo e das tendências.

Sem surpresa, a indústria da beleza também integra esta frente. Em Paris, as sobrancelhas das mulheres permanecem longe de qualquer intervenção, num look natural e sem esforço difundido por Caroline de Maigret e Lou Doillon, por exemplo.

Este desejo de evitar a pressão das tendências e celebrar os clássicos também se tem refletido nas recentes coleções exclusivas da retalhista japonesa Uniqlo, que em território francês encontrou profícuas colaborações este inverno: a minimalista coleção com a Christophe Lemaire esgotou numa questão de dias e a aguardada parceria com a incontornável figura de Carine Roitfeld – rica em saias lápis e trenchcoats – ressalvou, nas palavras da ex-diretora da Vogue Paris, a «importância de estabelecer um guarda-roupa sólido e clássico com twists simples» (ver Voo Paris-Japão).

No atual passo acelerado da moda, as mulheres francesas mantêm o estilo em velocidade cruzeiro com destino à elegância sem data limite.

 



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