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Sete dias por semana

Marcas / 24 Agosto, 2017

Movida pelas vivências sociais e urbanas e pela cultura emergente do Porto, a Daily Day é uma concept store que abandona o convencionalismo para propor uma experiência de consumo que vai muito para além da moda.

Ponto de encontro entre músicos, artistas, designers e amantes do bem saber fazer, este espaço em permanente mutação funde na perfeição o lado mais autêntico da cidade com a sua efervescente movimentação contemporânea. Filipe Prata, o rosto por trás do projeto, espera-nos à porta do número 263 da Praça General Humberto Delgado e acompanha-nos numa visita guiada pelas motivações e ambições de uma marca que nasce da simples vontade de celebrar o quotidiano. Sete dias por semana.

Foi num edifício dos anos 40, numa loja anteriormente ocupada por um stand de automóveis, que o conceito começou a ganhar forma. Em 2015, a descoberta deste ponto de venda, com vista privilegiada para a imponente Avenida dos Aliados, reuniu as condições necessárias para implementar um conjunto de ideias que deram origem à Daily Day. E o que inicialmente foi pensado como uma marca de roupa sustentável, urbana e intemporal, rapidamente evoluiu para um projeto multidisciplinar, passando a incorporar um palco de concertos, uma galeria de exposições e um espaço de portas abertas à criatividade de outras marcas e designers.

Nas palavras do seu fundador, «a Daily Day é, em simultâneo, um espaço onde acontecem coisas e onde as pessoas vão para conversar e conviver; e um laboratório onde são os próprios clientes a dizer se sim ou se não ao desenvolvimento de um determinado produto». Aliás, o que realmente torna esta loja tão especial é a sua íntima relação com a cidade e com as pessoas que nela vivem. Prova disso, é que, contrariamente a tantas outras concept stores do Porto, metade dos seus consumidores e visitantes é local. «A complexidade do mundo em que vivemos é interessantíssima e é a coisa mais extraordinária que podemos trabalhar», explica Filipe Prata, num discurso sempre convicto.

«Se conseguirmos fazer aquilo que corresponde às expetativas e ao sonho das pessoas, àquilo que elas são e ao seu comportamento, não precisamos de impingir nada a ninguém e as coisas fluem naturalmente», continua o fundador. Para além da marca homónima e das marcas portuguesas que habitam a loja (Carla Pontes, Hugo Costa, Reality Studio, La Paz, Weekend Barber, Wolf & Son, Lobo Marinho e Caiágua, entre outras), a Daily Day aposta no desenvolvimento de parcerias com outras marcas (Wolf&Son x Daily Day, Poente x Daily Day, Van Rohe x Daily Day) e na promoção de uma agenda cultural diversificada. Todos os meses, sobem ao ‘palco’ talentos emergentes, através dos denominados Daily Day Calling. Desde a sua abertura, no final de 2015, são já mais de 30 os nomes apresentados, entre os quais músicos, ilustradores, artistas plásticos, designers e outros criativos.

Esta proximidade com a comunidade criativa do Porto é vista como um forte benefício para a Daily Day. O primeiro exemplo desta união de conhecimentos e troca de experiências foi o convite dirigido a José Baião, um antigo mestre chapeleiro da cidade, para integrar a loja com um corner próprio. Por trás de um pequeno balcão, o comerciante esboça um sorriso sempre que capta o interesse de um visitante, introduzindo-o com satisfação aos vários modelos. O gesto apaixonado e cuidadoso com que segura cada exemplar ilustra a autenticidade do seu manifesto: «contribuir para que o chapéu se afirme como um acessório de extrema importância no dia a dia».

«Temos uma cultura experimental, não só no comportamento da Daily Day, mas também nos produtos que começa a apresentar. Se tudo corre bem? Impossível. Mas se tivermos uma cultura experimental, tudo o que corre bem é muito mais valioso», assegura. «Acreditamos que o espaço tem que valer por si. Na arquitetura, na curadoria de produto, nos serviços que disponibiliza. É essa mistura de coisas que vai criar um local agradável e com conteúdo para comunicar ideias novas”» explica. Filipe Prata fala no plural, porque aqui tudo é decidido em coletivo. À equipa de três pessoas a tempo inteiro em loja somam-se três no departamento de design e 70 na produção das peças.

Outro importante pilar da Daily Day é a sustentabilidade e, quando o assunto é abordado, Filipe Prata tem uma opinião bem vincada. «Sabemos que a indústria do vestuário deixa pegada ecológica e é nossa preocupação e responsabilidade minimizar isso. Como princípio genérico, estamos a utilizar materiais naturais, como a lã, o algodão, a seda e a evoluir parcialmente para o algodão orgânico», enumera. «Mas sustentabilidade não é só natureza, entendo a sustentabilidade com mais componentes do que a ecologia. Temos que sustentar o planeta, como temos que sustentar a sociedade, o que começa desde logo com os nossos trabalhadores», constata.

«Não temos trabalhadores a recibos verdes, não temos estágios não remunerados e, aliás, temos já trabalhadores na fábrica há 37 anos», revela Filipe Prata. Este posicionamento levou a que, no início deste ano, a Daily Day se juntasse à Fashion Revolution, um movimento global que defende um futuro mais sustentável e transparente para a moda. «O consumidor de nicho é cada vez é mais importante para nós, porque é mais bem informado, tem opiniões mais fortes, tem mais poder de compra e começa a rejeitar outras realidades», afirma. «Muitos dos consumidores que entram na loja querem saber de onde é o design, a produção, o tecido e nós podemos responder com transparência», revela.

Neto de alfaiate e filho de um industrial têxtil, foi em meados de 2011 que Filipe Prata descobriu que a vocação para o negócio familiar lhe corria nas veias. Pouco depois, decidiu abandonar definitivamente a carreira na engenharia civil, área de formação, e assumiu a direção da LaGofra, unidade de produção localizada na região do Porto. «Aproximei-me da empresa para ajudar o meu pai a resolver alguns problemas do negócio e, em poucas semanas, entendi que teríamos de tomar a decisão de fechar ou de continuar», recorda. Depois de concluírem, em conversa familiar, que o melhor seria continuar, Filipe Prata decidiu aprofundar os conhecimentos de Marketing e Gestão Empresarial e dedicar todos os esforços a reformular o negócio fundado em 1934.

«Não tenho perfil para gerir uma fábrica em que a única função é produzir para os outros. Por isso, tive como base duas premissas: limitar o risco da fragilidade industrial que existe em estar exposto a marcas estrangeiras e poder ter um quotidiano mais animado dentro da fábrica, que permitisse que a criatividade pudesse entrar no negócio», revela-nos. «No final de 2012, já estávamos sobretudo a exportar para clientes novos – entre os quais, Isabel Marant e Henrik Vibskov – e, com o meu crescente envolvimento na empresa, começou a tornar-se claro o que é que é este negócio, onde é que ele é frágil e onde é que pode ser bom», conta. Foi logo aí que as primeiras ideias que deram origem à Daily Day começaram a surgir.

«Inicialmente, o objetivo era que a nossa marca própria fosse comercializada fundamentalmente online e em ‘wholesale’. E estamos a fazer isso tudo na mesma, mas agora a loja acabou por vir ocupar um espaço mais mediático, tanto que por vezes acaba por ofuscar tudo o resto», admite o empresário. Considerando que «o negócio online não é futuro, porque já é o presente», Filipe Prata revela que a aposta da Daily Day, a curto-médio prazo, será abrir a loja online a todo o mundo, assim como reforçar a distribuição noutros mercados longínquos. Já no ponto de venda, as ações passarão pelo desenvolvimento de mais iniciativas artísticas e culturais e pelo lançamento de novas peças todas as semanas.

Quando à possibilidade de abertura de novos pontos de venda, Filipe Prata diz que «andamos em permanência a refletir se haverá uma segunda loja da Daily Day em breve e, se houver, como e onde será. O caminho pode ser o mais óbvio, que é Lisboa ou uma cidade europeia, ou pode ser diferente disso. O importante é que, seja lá onde for, o espírito continue a ser este», explica. «Tudo isto tem que ser dinâmico, tudo isto tem que evoluir com as nossas expetativas, com os nossos desejos e com a realidade. E vai continuar assim», colmata. Para além da concept store do Porto, atualmente as peças da marca Daily Day estão disponíveis online, na Casa Mãe, no Algarve, e em pontos de venda selecionados, nos EUA.



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