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A ponte de design de Guo Pei

Designers / Destaques / 25 Outubro, 2016

guo-pei4Foi a cantora Rihanna a responsável por apresentar Guo Pei ao mundo, em 2015. Desde então, o nome da designer chinesa deixou de ser uma nota de rodapé em imagens humorísticas nas redes sociais e integrou a lista dos membros convidados pela Chambre Syndicale de la Haute Couture para desfilar na semana de alta-costura, em Paris.

«Muitos chineses pensam que quando se é reconhecido no Ocidente, se é alguém, mas o que eu quero fazer é transformar-me numa ponte, fazer algo que seja significativo para o meu país», afirmou Guo Pei numa entrevista recente ao portal Fashionista, em Nova Iorque.

Não obstante, o reconhecimento internacional dos designs de alta-costura criadora chegou quando a cantora pop Rihanna usou o seu marcante vestido amarelo (que alimentou os feeds da Internet com imagens humorísticas durante semanas) para a gala de abertura da exposição “China: Through the Looking Glass”, do museu nova-iorquino (ver A cultura chinesa na moda).

O vestido envolveu 100 pessoas e cerca de 50 mil horas e foi o responsável por um dos momentos mais reverberados da passadeira vermelha, tendo simultaneamente servido como rampa global para o talento de Pei.

Entretanto, a Chambre Syndicale de la Haute Couture convidou a designer chinesa para desfilar na passerelle de alta-costura, em Paris, marcando a estreia de um designer nascido e criado na Ásia no calendário do certame (ver Os novos membros).

«Na Europa, a alta-costura é pensada para pessoas com status social, abastadas, mas na China, é um pouco diferente. Na China, há um fator de contemplação da beleza», referiu Pei. «Há trinta anos, não havia moda, não tínhamos essa palavra na China», continuou, referindo-se à Revolução Cultural Chinesa.

Tendo crescido num ambiente dominado por uniformes, que não valorizava o trabalho artesanal (como o bordado), Pei precisou de se esforçar por aprender a maioria das habilidades pelas quais é hoje conhecida. Em 1982, aos 15 anos, a designer fez parte da primeira turma de um programa de design de quatro anos na Beijing School of Industrial Design para formação técnica em design, sketching e padrões.

Criar vestidos proibitivamente caros, com baixa usabilidade e extremamente inspiradores sempre foi a paixão de Pei, mas poucos a entenderam no início da carreira.

Em 1997, a designer assumiu o risco e abriu o Rose Studio, em Pequim. Mas só anos mais tarde, quando conheceu aquele que acabaria por se tornar seu marido e parceiro de negócios Cao Bao Jie, Pei percebeu que não era apenas alfaiate: era uma haute couturière. Por seu turno, Cao Bao Jie, comerciante têxtil, introduziu Guo Pei a tecidos e bordados europeus.

Ainda assim e tal como Pei lutou para encontrar alguém que a ensinasse a desenvolver a roupa com que sonhava, também a criadora teve problemas em encontrar bordadeiras e costureiras capazes de integrar o Rose Studio.

«Era impossível encontrar bordadeiras porque durante a Revolução Cultural esta era considerada uma habilidade descartável, pelo que ninguém estava a aprender e ninguém estava a ensinar», recordou Pei. Hoje, o Rose Studio conta com mais de 300 bordadeiras, muitas delas ensinadas pela própria criadora.

No volver dos anos, Pei lutou para convencer os clientes a gastarem a mesma quantidade de dinheiro que despenderiam num vestido Gucci ou Prada numa peça de uma designer local. «Expliquei o porquê daquele preço durante 10 anos mas, depois disso, ninguém me perguntou mais nada», recordou.

guo-pei3Todavia, quando alguém ofereceu 5 milhões de yuans pelo vestido usado por Rihanna, Pei recusou vendê-lo, mantendo-o como «símbolo da sua criação» e de um momento de viragem que transformou radicalmente o seu negócio.

«A fama no exterior ajudou o Rose Studio na China», resumiu Pei, acrescentando que os clientes na Europa, nos EUA e na China têm diferenças mas, em última análise, procuram precisamente o mesmo: trabalho artesanal de alta qualidade.

A criadora abriu um segundo atelier em Paris no início de 2015, que considerou necessário depois do convite para mostrar durante a semana de alta-costura.

Nos dois primeiros desfiles, Guo Pei acredita ter jogado pelo seguro e mostrado designs mais «práticos», mas adiantou que pretende mostrar vestidos «mais dramáticos» na passerelle de janeiro.

Já este mês, Guo Pei integrou a lista BoF500, promovida pelo portal da especialidade The Business of Fashion, sendo considerada uma das mulheres mais influentes da indústria (ver Os mais influentes do mundo).



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