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Desfiles / Destaques / 27 Março, 2017

Nuno Baltazar

No último dia do Portugal Fashion, Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos grandes protagonistas. Mas mais do que ofuscar, o Presidente da República quis dar um brilho ainda maior aos criadores e marcas nacionais que encerraram a 40.ª edição do evento.

Entre velhos conhecidos, como Katty Xiomara e Anabela Baldaque (ver Portugal Fashion abraça mudança), aos valores emergentes da moda nacional, como Beatriz Bettencourt e Pedro Neto, que desfilaram na plataforma Bloom (ver Novo comandante no Bloom) –, sem esquecer a passagem por Lisboa com a presença do Primeiro-Ministro (ver Os decretos do Portugal Fashion) –, o Presidente da República visitou e cumprimentou todos os designers presentes no showroom Brand Up e nos bastidores, intercalado com paragens que se tornaram obrigatórias para aquele que é provavelmente o presidente mais popular da história da república portuguesa para distribuir beijinhos, abraços e as já famosas selfies. Mas o professor comprovou, mais uma vez, que é sobretudo um bom aluno e, apesar de «não ligar muito à moda» no que ao seu guarda-roupa diz respeito – onde pontuam fatos da Dielmar –, apreendeu e descreveu aos jornalistas as principais tendências entre as coleções dos designers portugueses. «Fiquei a saber que sobretudo em relação às senhoras encontramos muito cinza, encontramos também muito preto – que é inevitável –, encontramos muito revivalismo, influências exóticas, encontramos depois muitas influências de certos aspetos peculiares da vida dos criadores e um pouco intemporal, quer dizer, não há muito uma divisão entre jovens e menos jovens, mas a ideia é ser uma criação para homem e para mulher e para idades indefinidas», resumiu Marcelo de Sousa.

Apesar do protagonismo inevitável de que goza, o Presidente da República sublinhou aos jornalistas que a visita ao evento teve como objetivo «agradecer e felicitar. Agradecer o trabalho desenvolvido ao longo de anos, felicitar porque de ano para ano melhora, com sucesso no Porto, sucesso em Lisboa, um sucesso por esse mundo fora». Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda que «há aqui uma dupla componente: a componente artística e a componente empresarial, em dois sectores de sucesso no país, que é a reconversão dos têxteis virados para a moda e a reconversão do calçado virado para a moda, e projetando-se em todo o mundo».

Em passo acelerado, que muitos tiveram dificuldade em acompanhar, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu no ímpeto do momento assistir ao desfile de Nuno Baltazar, que se inspirou em Frida Kalo para criar a sua 26.ª coleção. «O mundo está a mudar e já não faz sentido ter estações. Ainda na semana passada esteve um calor que dava para ir para a praia, ontem chovia torrencialmente e hoje está assim-assim. Por isso, decidi que não ia mais trabalhar estações, mas sim coleções», explicou o designer ao Portugal Têxtil. Com Jessica Athayde e Raquel Strada como figuras de proa – «porque representam a minha marca, são minhas clientes» – o designer, que colabora também com a Riopele, fez um hino à autodeterminação, com uma explosão de cor que transportou a plateia para o México.

Luís Buchinho

Cerca de duas horas e meia antes, o espaço ocupado no Silo Auto foi pequeno para acolher as centenas de pessoas que quiseram ver ao vivo a coleção para o próximo inverno de Luís Buchinho. O agreste do betão da estrutura e as rajadas de vento que ocasionalmente se faziam sentir combinaram com a vida dura dos pescadores e do mar português, o tema que serviu de inspiração ao criador. «É uma temática que na verdade já tinha trabalhado em 2012 e acho que ela está muito presente, uma vez que sou natural de Setúbal e tenho uma ligação muito forte com o mar, a minha família teve pescadores também», revelou o criador de moda ao Portugal Têxtil. Na passerelle, a brisa marítima ficou, contudo, longe do azul do oceano, centrando-se mais na «paisagem humana». Redes, a influência das tradicionais camisas de flanela aos quadrados, os próprios barcos refletiram-se nas leggings, nos tops e nos casacos desenhados por Luís Buchinho.

Com lugar já confirmado na passerelle principal, Hugo Costa e Carla Pontes mostraram argumentos para se estabelecerem como nomes reputados na moda nacional. Depois do sucesso na apresentação em Paris, Hugo Costa gelou a passerelle com propostas inspiradas nas viagens árticas e no explorador Roald Amundsen. Com materiais mais tecnológicos, com o contributo da ERT, o designer apostou em tons gélidos, do branco ao azul glaciar.

Carla Pontes

Hugo Costa

«São propostas que afirmam a ideia da marca e podem ser vestidas por homens ou mulheres», explicou o designer ao Portugal Têxtil. Carla Pontes, por seu lado, fez menos quilómetros e olhou para dentro, para as coleções que já apresentou no Portugal Fashion, misturando, para esta 10.ª coleção, elementos das estações passadas com o vento. Wind, como a batizou, mantém a estética minimalista de Carla Pontes, onde o conforto assumiu o papel principal, e marcou a primeira vez que a designer teve a passerelle principal só para si. «A temática Wind vem mesmo da ideia de ser a décima coleção e ela pretende ser um sopro de memórias que passa por todas as coleções e traz pormenores para esta coleção passadas e o facto de, pela primeira vez, ter uma passerelle individual com horário individua,l é muito bom e é muito gratificante sentir este crescimento», destacou a designer ao Portugal Têxtil.

Micaela Oliveira

Na estreia, Micaela Oliveira, conhecida do grande público por vestir figuras como Cristina Ferreira e Rita Pereira, trouxe brilho, glamour e a feminilidade. Com a primeira fila repleta de estrelas de todas as áreas – desde a atriz Diana Chaves ao jogador de futebol Fábio Coentrão –, a estreia fez-se com as formas de Fernando Botero como inspiração. «É um escultor que gosto imenso», afirmou a designer. «Ele brinca um bocado com as formas e acabei por seguir um bocadinho isso e brincar com as texturas, os tecidos e até com as cores», explicou.

Já Júlio Torcato não esteve na passerelle mas apresentou uma mostra da sua coleção numa instalação na Alfândega. Mobil(ize) «é a busca de um novo caminho», admitiu o criador. «Foi uma forma que encontramos de pôr a roupa mais próxima do público, em que o público pudesse interagir diretamente – não só ver modelos a desfilar em passerelle mas podendo tocar, abrir as peças, ver como é feito, sentir os tecidos», justificou. As propostas para homem e senhora, apesar de serem para a próxima estação fria, «não são bem inverno, porque também questionamos isso. Hoje as estações já não fazem sentido e uma parte desta coleção estará, dentro de uma semana ou duas, na loja», revelou.

Uma indústria na moda

Portugal Fashion é sinónimo também de indústria e foi com ela que se assistiu a alguns dos momentos mais marcantes do último dia de desfiles. Depois do calçado, numa mostra coletiva que juntou as propostas da Ambitious, Dkode, Fly London, JJ Heitor Shoes, J. Reinaldo e Nobrand e obrigou a passerelle a crescer para receber ainda mais espectadores, a Lion of Porches mostrou know-how na hora de vestir toda a família. Com Maria João Bastos como nova embaixadora, a marca preparou homem, mulher e criança para as temperaturas gélidas da montanha. Os xadrezes, tartan e pied de poule combinaram-se com o azul, vermelho e bege para uma abordagem contemporânea e muito british. «Mostra a versatilidade da marca, que acompanha a vontade dos consumidores. São peças tão versáteis que podem até ser usadas na montanha», afirmou Natércia Margarido, responsável pela moda feminina no coletivo criativo que inclui também Josefina Borges (criança) e Júlio Torcato (homem).

Ana Sousa

Lion of Porches

Com a ambição de vestir todo o tipo de mulher, das mais jovens às mais experientes, em todo o tipo de situação, Ana Sousa mostrou uma coleção urbana, com recurso a diferentes materiais, com mais ou menos brilho, para o outono-inverno 2017/2018. «A vida de uma mulher de hoje é muito complicada: tem de trabalhar, tem reuniões, tem eventos… E tenho de pensar numa mulher internacional, não só portuguesa», referiu Ana Sousa, que quis responder a todas essas situações. Dinamizado pela atuação ao vivo de Rui Drumond, o desfile encheu-se de peças que, segundo a designer, «começaram por ser pensadas para uma mulher a partir dos 22 anos mas, de repente, surgiu a linha Young, para uma mulher mais irreverente, que gosta mais de ousar».

Nair Xavier e Rita Gaspar lideraram a equipa criativa da Dielmar, numa verdadeira «aventura», como descreveu Nair Xavier, e o resultado foi uma coleção a pensar no homem contemporâneo, mas inspirada nos grandes pintores holandeses. «Encantámo-nos pelas cores, que foi a paleta mostrada, e achámos que combinava perfeitamente com o trabalho dos pintores holandeses, como Rembrandt», revelou Nair Xavier ao Portugal Têxtil. Os fatos de corte aprimorado que são apanágio da marca – que vestiu os campeões da Europa em futebol e é também usada pelo Presidente da República – assumiram tons de rosa velho, azul petróleo e bordeaux. «São peças que se destacam pelas cores e pelas texturas», afirmou a designer.

Dielmar

As luzes apagaram-se com Miguel Vieira, mas as palmas fizeram-se ouvir ainda depois. O designer garantiu uma ovação de pé com a coleção Reflexos Refletidos, com a introdução novamente de coordenados de criança. O destaque, contudo, esteve nas novas técnicas usadas por Miguel Vieira na construção da coleção. «Nesta coleção usei três técnicas que nunca tinha trabalhado, que são muito interessantes e em termos de criatividade dão para fazer mil e uma coisas.

Miguel Vieira

Um é um enrugado, que tecnicamente é um macho e uma fêmea em termos de molde e o enrugado entra e em termos de produção futuramente garante que as peças vão ficar rigorosamente iguais. Outra técnica é os plissados em peles e polipeles com microdesenhos, como o meu logótipo, a laser, perfurados. E a terceira técnica, pela qual estou muito apaixonado, chama-se aglutinado», explicou ao Portugal Têxtil.

Para Adelino Costa Matos, presidente da Anje, que, em parceria com a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, é responsável pela organização do Portugal Fashion, «o balanço é bastante positivo. É o meu primeiro Portugal Fashion enquanto presidente da Anje e, acima de tudo, penso que é positivo no aspeto em que tivemos novos criadores, alguns até bastante conhecidos do público como a Micaela Oliveira, tivemos jovens criadores, alguns saídos da plataforma Bloom e que hoje estão na passerelle principal. Diria que, em termos de resumo, obviamente que estamos muito satisfeitos e acho que estes quatro dias foram, efetivamente, muito bons».



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