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Com os pés na Amazónia

Destaques / Marcas / 24 Janeiro, 2017

veja4Ainda que assine alguns dos pares de sapatilhas mais populares das últimas temporadas, faça a ponte Paris-Acre e mantenha uma pegada verde bem vincada, a Veja tem tido um caminho relativamente discreto nos dois eixos que a orientam: moda e sustentabilidade.

Em outubro de 2016, o portal da especialidade Highsnobiety calcorreou o Brasil e explorou a floresta amazónica percorrendo os trilhos da cadeia de aprovisionamento da empresa de calçado desportivo parisiense Veja – responsável por pares minimalistas cobiçados por bloggers e editoras de moda à escala global.

Dos trabalhadores de fábrica que a Veja emprega às famílias que extraem a borracha para as solas das sapatilhas, a experiência imersiva teve como fio condutor a sustentabilidade.

Ainda que os seringueiros (trabalhador que extrai o látex das seringueiras e viabiliza a sua transformação em borracha natural) morem no remoto estado do Acre, na Região Norte do Brasil, conhecem perfeitamente o seu lugar na cadeia global de aprovisionamento – o seu trabalho sustenta a floresta, ajudando atribuir um valor real àquelas árvores.

A Veja sabe disso e, como marca, tem gerido silenciosamente um modelo de negócio sustentável há quase uma década. No entanto, a sua pegada ecológica quase nunca é referida. «Nas lojas, não escrevemos “algodão ecológico” nas paredes», ironiza o cofundador da Veja, Sebastien Kopp.

A poucos quilómetros de distância das fazendas de extração de borracha encontram-se os campos de algodão orgânico que a Veja compra a preço justo de várias unidades agrícolas. Os fornecedores da marca evitam a utilização de produtos químicos e pesticidas que, quando usados intensivamente, acabam por destruir o solo.

Sebastien Kopp começou a sua carreira no Morgan Stanley, em Washington, nos anos 2000, altura em que a sustentabilidade estava a começar a fazer parte das conversas de empresários e consumidores. Uns anos mais tarde, passou a analisar projetos empresariais sustentáveis de grandes empresas internacionais ao lado do amigo e ex-colega François Morillion. Desanimados com a falta de progresso real encontrada nesses projetos, juntamente com um inspirador encontro com o pioneiro do comércio justo Tristan Lecomte (fundador da empresa de comércio justo Alter Eco), os dois decidiram fundar a Veja, em 2004.

«Chamamos à Veja o Cavalo de Troia porque sinceramente acredito que 80% a 85% das pessoas que compram Veja não conhecem o projeto», afirma Kopp. «Quem são as pessoas que fazem o calçado que usamos? Quem são as pessoas que os enviam e distribuem? A maioria das pessoas não sabe», explica.

No Rio Grande do Sul, a Veja trabalha com uma equipa de 150 a 200 trabalhadores sindicalizados que fazem entre 1.500 a 2.000 pares de sapatilhas por dia. Auferem 1.200 reais por mês (aproximadamente 352 euros), 20% acima do salário mínimo do estado.

veja2Apesar de as sapatilhas da Veja serem desenhadas no estúdio de Paris, a fábrica desenvolve todos os pares da marca do início ao fim, tratando e transformando ainda a borracha que chega dos seringueiros.

Dentro da reserva de extração Chico Mendes, localizada no estado do Acre, a Veja trabalha com a associação de seringueiros Amopreab e, recentemente, começou a colaborar com duas novas associações localizadas no município de Feijó – a Parque da Cigana e a Seringal Curralinho. Hoje, 60 famílias de seringueiros fazem parte do projeto sustentável da marca de calçado desportivo.

Desde 2007, a Veja tem ainda vindo a trabalhar com Bia Saldanha, cofundadora e ativista ambiental do Partido Verde. Saldanha providencia suporte técnico aos seringueiros e coordena a cadeia de aprovisionamento da borracha utilizada pela Veja.



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