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O rei da festa

Designers / Destaques / 18 Setembro, 2015

GettyImages-487812056-390x600 recap_spr_2016_givenchyNa passada sexta-feira, num cais com vista para o “ground zero”, Riccardo Tisci, que fez a sua estreia na Semana de Moda de Nova Iorque, contou uma história que haverá de figurar nos anais da moda. Ostensivamente, o desfile tocou a religião e o legado do 11 de setembro de 2001. O The New York Times coroa o diretor criativo da Givenchy “rei” da #NYFW e traça-lhe o percurso que parece ditado pelos astros e pela intervenção divina.

Durante a última década, Riccardo Tisci transformou-se no designer de moda mais socialmente conectado da sua geração, um homem cujos tentáculos se estendem a candidatos aos Óscares e a participantes em reality show, artistas de top e promotores da vida noturna gay, modelos intergalácticos e socialites cirurgicamente alteradas.

E, na primeira fila da Semana de Moda de Nova Iorque, lá estavam eles: o casal Kanye West e Kim Kardashian, a cantora Nicki Minaj e a atriz Julia Roberts. Também marcaram presença a antiga musa Courtney Love, Deborah Harry, Amanda Seyfried, Jennifer Hudson e Erykah Badu. Até mesmo o realizador Pedro Almodóvar fez a sua aparição no desfile.

No backstage sobressaía Marina Abramovic, a diretora de arte do desfile, um empreendimento que levou seis meses a erguer (provavelmente um dos mais caros espetáculos a que Nova Iorque já terá assistido).

A verdade é que o compromisso do designer com a diversidade tem ajudado a impulsioná-lo até ao topo, não apenas junto da multidão habitual de editores e fashionistas, mas também numa base de fãs incrivelmente multicultural.

Como é que um homem que há apenas uma década era totalmente desconhecido, um homem cuja coleção de estreia foi descrita por críticos como «mal organizada e caótica» (The New York Times), e «pretensiosamente desconcertante» (Style.com), chegou aqui?

 

Signo: Leão

Tisci é Leão, algo que ele e os seus amigos citam com notável frequência para explicar a sua ascensão na profissão.

Nasceu a 1 agosto de 1974, em Taranto, uma cidade costeira no sul da Itália. Numa família de poucas posses, era o único menino, o filho mais novo de nove. Quando tinha 6 anos, o designer perdeu o seu pai, vítima de um ataque cardíaco, mas naquela casa nunca faltou amor.

Irmãs e mãe são presença regular nos desfiles de Tisci e as chamadas da progenitora para a sua cria são uma constante.

Na escola, Riccardo Tisci era um “outsider”, o tipo de criança que adorava ícones góticos como Robert Smith e Siouxsie Sioux e com autoconhecimento suficiente para começar a traçar a sua fuga do sul de Itália desde cedo.

E, aos 17 anos, partiu para Londres. Lá, o designer teve vários trabalhos, passando inclusivamente pelas limpezas. Tornou-se depois assistente do designer Antonio Berardi, que conseguiu com que Tisci arrecadasse um subsídio para estudar na Central Saint Martins, a escola de moda mais prestigiada de Londres.

«Eu sou Leão», diz o designer. «Tenho sempre de dar mais», aponta.

 

Demasiado gótica

Pouco tempo depois de terminar os seus estudos, Riccardo Tisci conseguiu um emprego na Ruffo Research, uma marca italiana que já havia dado o primeiro emprego a futuras estrelas do design de moda como Nicolas Ghesquière e Sophia Kokosalaki.

E, em 2005, depois da saída de Julien Macdonald, o designer foi contratado pela Givenchy.

A casa fundada em 1952 por Hubert de Givenchy, que ganhou fama a vestir Audrey Hepburn e Jacqueline Kennedy, tinha caído em tempos difíceis. E Tisci não agradou com a sua primeira coleção.

«Foi um pouco “demasiado gótica”», lembrou Carine Roitfeld, à data editora da Vogue Paris. «Não foi um sucesso, mas podia ver-se que ele tinha talento», acrescentou.

Foi por esta altura que o designer percebeu que as celebridades seriam valiosas para o seu trabalho.

Entre as primeiras, surge Courtney Love, que foi contratada por Tisci para uma sessão em torno de propostas de alta-costura, em 2007, no seu atelier.

Em seguida, a figurinista Arianne Phillips ligou e pediu-lhe que enviasse alguns esboços para a tour mundial de 2008 da cantora Madonna, o que levou a uma reunião com a diva e, posteriormente, a uma amizade.

Por esta altura, Tisci estabelecia também amizade com Kanye West, que o contratou para projetar a capa do seu álbum de colaboração com Jay Z, que então o escolheu para ser codiretor da sua tour.

Em 2014, Kanye West e Kim Kardashian convidaram Tisci para desenhar as roupas para o seu enlace. O designer criou um vestido para Kim que mais tarde desembarcou na capa da Vogue americana.

Entretanto, a LVMH, empresa-mãe da Givenchy, aumentou o número de lojas de cerca de uma dúzia, para cerca de meia centena (a última abriu em Nova Iorque na semana passada).

Também os retalhistas foram aumentando as suas encomendas. «É um negócio em crescimento», adianta Ken Downing da Neiman Marcus.

E, em janeiro de 2015, Tisci sente outro impulso na carreira quando Julianne Moore aceitou o Globo de Ouro de melhor atriz num vestido Givenchy sem mangas, escuro metálico, que foi um verdadeiro deleite para as revistas da especialidade.

 

Intervenção divina

Recentemente houve rumores de que o diretor criativo da Givenchy poderia estar a caminho de algum lugar maior e melhor.

O nome de Tisci estava em alta rotação quando Frida Giannini foi forçada a sair da Gucci no ano passado e houve muita conversa durante a Semana de Moda de Nova Iorque de que o seu desfile não era apenas uma festa de aniversário (de 10 anos), mas talvez uma despedida.

A incontornável figura de Anna Wintour gostava que o designer evitasse a dança das cadeiras. «A Givenchy é uma grande plataforma para ele», considera a editora da Vogue americana. Tisci parece concordar.

«Em 10 anos, muitas pessoas se aproximaram de mim», revela o designer. «Quando se está numa casa bem-sucedida, as pessoas aproximam-se. Mas sempre recusei porque estou feliz onde estou. Quero concentrar-me na Givenchy», clarifica Tisci.

Entretanto, chegara a reta final e Marina Abramovic esperava por Riccardo Tisci para ultimar aquele que seria, segundo a crítica, o desfile mais marcante da #NYFW.

Chovia, mas Abramovic tinha visto as previsões meteorológicas para o dia seguinte e parecia otimista.

«Deus está do nosso lado», disse. «Hoje está a chover, sábado vai estar a chover, domingo também. E amanhã não! Como é que se explica isto? É a ajuda divina».

Tisci concorda. «Ele está vivo», referindo-se ao arquiteto do universo e talvez a si mesmo.

 

 



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18 Setembro, 2015   
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