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O que virá a seguir?

Designers / 8 Agosto, 2017

João Oliveira sempre preferiu passar despercebido. Mas após duas participações premiadas no concurso Sangue Novo da Moda Lisboa, tudo começou a mudar na vida do jovem designer de moda.

Conquistada a atenção do público nacional, prepara-se agora para entrar pela primeira vez num avião e representar Portugal no festival de moda Fashion Clash, em Maastrich. E logo de seguida, volta a levantar voo rumo a uma nova experiência internacional, um curso de verão em Estratégias de Marketing na Domus Academy, em Milão. É, no entanto, com os pés bem assentes na terra que fala das suas expetativas para o futuro.

Sete de outubro de 2016, foi a data de apresentação da sua primeira coleção no concurso de novos talentos da Moda Lisboa, reconhecida pelo júri com o Prémio Fashion Clash. Num retorno nostálgico à idade da infância, João Oliveira inspirou-se na sua avó e nos momentos passados na casa cor de rosa em que viviam para criar peças funcionais, descontraídas e oversized. Em “Effeuiller”, «procurei misturar elementos do sportswear e do streetwear dos anos 90, com materiais menos convencionais, como as cordas e os elásticos», descreve. Reconhece, contudo, que por inicialmente estar muito preocupado com a opinião do júri, estes primeiros coordenados não refletiram totalmente a sua essência enquanto designer de moda.

«Normalmente, o meu trabalho é mais abstrato porque, para mim, a moda é uma expressão artística que permite transpor os meus sentimentos para as peças, e acho que é essa a minha individualidade», justifica. «Agora, tenho-me focado muito em materiais mais práticos, porque quero que as pessoas se sintam confortáveis com as peças, mas gosto mesmo é de utilizar materiais não convencionais e que, muitas vezes, não são usáveis no dia a dia», revela, apontando uma das suas peças favoritas, um casaco criado a partir de uma carpete que pesa 10 kg. Só depois de assegurar a continuação na plataforma de novos criadores, é que João Oliveira se sentiu «muito mais à vontade para arriscar». Prova disso, é que quando regressou à passerelle do Sangue Novo, em março, voltou a surpreender com as suas irreverentes criações, desta vez distinguidas com o Prémio Moda Lisboa, para a melhor coleção.

Desenhada intuitivamente numa viagem de comboio entre as cidades de Porto e Ovar, “Society” buscou inspiração na velocidade, no som e na atitude do indivíduo perante o atrevimento da tecnologia. Um ponto de partida que o transportou de imediato para os cenários de autoestrada, o local de trabalho do seu pai. Com o vermelho e o amarelo a destacarem-se sob uma paleta de cinza, branco e azul, apresentou coordenados compostos pela sobreposição de peças largas e fluídas, que fundiram o streetwear com pormenores inesperados, retirados do vestuário de trabalho.

Outra importante referência para João Oliveira foi o trabalho de Jon Rafman, em especial, o projeto “The Nine Eyes of Google Street View”, no qual o artista recolhe momentos insólitos capturados pelas câmaras da Google, para refletir sobre o impacto emocional, social e existencial da tecnologia na vida contemporânea. Natural de uma pequena localidade de Ovar, no norte de Portugal, o designer de 24 anos conta que apenas teve a possibilidade de começar a visitar os vários cantos mundo quando apareceu o Google Earth. Durante a conversa, recorda as horas incontáveis passadas a viajar pelo mundo virtual, somadas a tantas outras a descobrir o trabalho dos designers que viriam a influenciar a sua forma de ver a moda.

Se pudesse estagiar ou trabalhar com um dos seus role models, Iris Van Herpen seria a primeira escolha. «Admiro o trabalho dela e gostava muito de explorar o 3D, que permite manipular muito bem os materiais e fazer aquelas construções loucas que gosto, com a vantagem de evitar o desperdício», confessa. «Um dos meus objetivos é caminhar para ser ecofriendly, acredito que o futuro da moda está aí», admite. Em fase de finalização dos últimos detalhes para o seu próximo desfile na passerelle do Fashion Clash, é na cidade de Ovar que continua a passar a maior parte do seu tempo. «Conheci a proprietária de um atelier que confeciona máscaras de Carnaval [tradição muito presente naquela cidade portuguesa] e ela simpatizou tanto comigo, que me cedeu o espaço para poder trabalhar», conta.

«Criar a minha marca é um sonho de criança, mas também sei que ainda tenho muito a aprender», reconhece, afirmando a ambição de continuar a evoluir, rumo à industrialização. «Sempre fui muito sonhador, mas com o tempo aprendi a não viver com tantas expetativas, uma porta pode abrir-se mas também pode fechar-se rapidamente», completa, num equilíbrio com o seu lado mais racional. Consciente que tem ainda um longo caminho a percorrer, João Oliveira deixa o seu futuro em aberto. Assim como a resposta à minha última pergunta. O que virá a seguir para este promissor designer de moda?



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Nascido em 1973, numa pequena garagem da casa do casal Maria Emília e Alberto Figueiredo, em Esposende, o grupo Impetus...

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