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Destaques / Tendências / 5 Janeiro, 2017
awaytomars | Summer 2017 | ModaLisboa - Together

ModaLisboa / Fotografia: Rui Vasco

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ModaLisboa / Fotografia: Rui Vasco

Das bolsas às t-shirts, os papéis inverteram-se com a entrada em cena da customização e, agora, o consumidor é designer e escreve o próprio guião de estilo.

Até aqui, a customização era sinónimo de detalhes: monogramas numa bolsa, cachecol ou blusão, uma cor de sapatilhas diferente, etc. Marcas como Prada, Louis Vuitton, Nike, Gap e Whistles permitiam que os clientes adaptassem os designs existentes segundo as suas especificações. Porém, agora, um grupo de startups está a desenvolver modelos de negócio para que o cliente crie, de raiz, determinados itens.

A Mon Purse, marca de bolsas fundada pela australiana Lana Hopkins no final de 2014, recorre à tecnologia 3D e possibilita que os consumidores desenhem a própria bolsa, da cor e textura do couro ao forro e detalhes em metal. No total, existem seis mil milhões de possibilidades. Hopkins, que já trabalhou nos media, inspirou-se na Build-A-Bear, uma conhecida loja na qual as crianças podem criar o seu ursinho de peluche. A Build-A-Bear está avaliada em mais de 157 milhões de libras e, embora Hopkins desvalorize os números, a boa performance da marca infantil só pode ser um bom presságio para o seu negócio.

Depois da Mon Purse começar a ser vendida nas lojas Myer na Austrália no ano passado, a marca foi a bestseller no segmento das bolsas numa questão de semanas. A Selfridges, revela Hopkins ao jornal The Guardian, não a deixou sair da reunião até que concordasse em vender a marca nas lojas de Londres e Manchester. Como resultado, em 2016, a Mon Purse cresceu 800%.

A AwaytoMars, startup de moda fundada pelo brasileiro Alfredo Orobio no final de 2015 e sediada em Lisboa e Londres, autointitula-se «a primeira marca de moda no mundo criada a 100% pelo utilizador». Qualquer pessoa pode submeter a sua ideia no website e, instantaneamente, receber feedback da comunidade registada na plataforma. Os designs mais interessantes ou inovadores são selecionados por essa mesma comunidade e por um grupo de curadores para a fase seguinte, o crowdfunding. A seleção é entregue aos utilizadores e a equipa da startup, que nasceu quando Orobio estudava em Lisboa, age como moderadora, incentivando as discussões e sugerindo melhorias num ambiente totalmente colaborativo.

A Alfredo Orobio cabe a responsabilidade de organizar toda a informação, conduzir as pessoas no processo de aperfeiçoamento técnico, contactar com as empresas e acompanhar o desenvolvimento do protótipo. Orobio tem como público-alvo os internautas dos 14 aos 25 anos e o número de utilizadores duplica a cada mês. Atualmente, a plataforma contabiliza 700 utilizadores ativos e dentro das ideias que recebe, Alfredo Orobio reúne as melhores para apresentar no calendário da ModaLisboa.

Esta nova geração de consumidores cresceu num mundo onde pode adaptar tudo, desde uma conta de Instagram a uma lista de reprodução no Spotify, para depois partilhar com os seus pares. Para este consumidor, a ideia de poder fazer o mesmo com as roupas é lógica. «É um paradoxo porque, de certa forma, a moda é sobre novidade, com as coisas a mudar a cada seis meses – mas, por outro lado, é muito conservadora», afirma Orobio.

A indústria está a começar a prestar atenção – a AwaytoMars conta já com o apoio do Center for Fashion Enterprise, que trabalha com empresas de moda emergentes no Reino Unido.

Maks Fus Mickiewicz, jornalista da Future Laboratory, acredita que a passagem do poder para o consumidor só tenderá a crescer. «As marcas de moda estão a perceber que para se manterem em jogo precisam de deixar de impor a sua estética», acredita. «Não é assim que o mundo funciona agora. Há um novo diálogo com os consumidores», conclui.



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