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Moda nacional descola para o ciberespaço

Designers / Destaques / 24 Maio, 2017

Procurando acompanhar as transformações ocorridas nos últimos anos nos hábitos de compra dos consumidores e munindo-se de armas que lhes permitam fazer frente à concorrência global, designers como Katty Xiomara, a dupla Alves/Gonçalves, Luís Carvalho, Luís Buchinho e Alexandra Moura estão prontos para fazer deslocar as suas vendas.

Um estudo do Pew Research Center, que em 2016 questionou 23 mil consumidores em 25 países, descobriu que 54% dos inquiridos compram produtos online semanal ou mensalmente, 34% acreditam que o smartphone será a sua principal ferramenta de compras no futuro próximo e, dentro da categoria de vestuário, 66% fizeram compras online no ano passado e 14% afirmam ter comprado vestuário, calçado ou acessórios de luxo.

À medida que os consumidores mudam para uma economia digital, social e de experiências, o mesmo tem acontecido com a indústria da moda. As marcas, emergentes ou estabelecidas, estão a reinventar-se e a conectar-se digitalmente com o próximo consumidor de moda – o millennial (na faixa etária 18-34 anos). Com esta e outras demografias em consideração, a moda de autor nacional também começa a ser balançada pela rede, com portais de comércio eletrónico em incubação para reforçar a sua internacionalização.

Diogo Miranda foi um dos designers que cedo se apercebeu desta mutação nos hábitos de compra do consumidor, tendo aterrado no comércio eletrónico já há cerca de cinco anos, auscultando primeiramente as necessidades das suas clientes e percebendo de que geografias chegavam os cliques. «Temos 80% da coleção online. As únicas peças que não temos online são aquelas mais trabalhadas, mas isso é feito estrategicamente, que é para obrigar as pessoas a contactarem-nos e a virem cá», explica ao Portugal Têxtil.

Luís Buchinho, que deverá apresentar o portal de comércio eletrónico da marca ainda este ano, também optou por disponibilizar as peças com um fit «mais universal» online. «Vamos começar com uma parte pequena da coleção e uma parte que seja um bocadinho mais fácil de vestir. Com peças que não exijam tanto um corpo para aquela peça», revela.

Já a dupla Alves/Gonçalves irá optar por colocar poucos artigos online, fazendo o teste para perceber como tudo se desencadeará a partir daí. «Tinha um website que mandei destruir e mandei fazer outro. Já fizeram o website e agora vão dar-me o orçamento para pôr 10 ou 12 itens online, fazer uma versão com imagens 3D ao objeto, ao espaço, ao atelier», explica Manuel Alves sobre uma investida que apostará também no retalho experiencial, um dos temas que tem vindo a ser explorado pelos analistas e executivos do sector. Ainda que garanta as suas vendas em território nacional, «há pedidos que chegam da ilha Madeira» e, por isso, o website será apresentado nos próximos meses.

A trabalhar mercados como o Japão, Xangai, Kuwait ou Barcelona, Alexandra Moura acredita que, ainda antes do verão, vai ser possível receber em casa as peças unissexo da marca independentemente do código-postal. «Já devia estar online», admite, adiantando que se tratará de «uma loja muito conectada com o website e com as redes sociais da marca e, por isso, qualquer pessoa que procure a marca terá acesso à loja».

Hoje, mais do que uma ferramenta de vendas, Diogo Miranda considera que um portal de comércio eletrónico é, também, uma necessidade. «Pelo menos a nível de marca, de notoriedade, é preciso. Porque as pessoas que visitam o website e conhecem a marca têm de ter ali uma consistência», aponta.

Contudo, apesar do otimismo dos números, as questões logísticas envolvidas – entregas, pagamentos e devoluções, por exemplo – neste tipo de investimentos não deixam de preocupar os designers nacionais. «As pessoas falam muito das vendas online, mas já foi contabilizado que realmente não é uma percentagem assim tão grande, as pessoas ainda preferem ir à loja física. Depois realmente envolve todas estas questões, as devoluções, que não conseguimos controlar tão bem como quando temos uma loja física», observa Katty Xiomara, que deverá apresentar o portal de comércio eletrónico da marca já com a coleção de verão de 2017.

Conscientes destes e de outros entraves – afinal, um dos desafios atuais do comércio eletrónico é o facto de o consumidor gostar de tocar e sentir os artigos antes da compra, fazendo com que este visite primeiro a loja física e só depois compre online –, tem vindo a ser feita uma aposta em pessoal qualificado. Alexandra Moura confia a logística do seu portal a Diogo Sousa, «que é alguém que tem formação, fez formação em logística para dar a resposta a esse lado» e Luís Carvalho, que também projeta o seu portal de comércio eletrónico para breve, recrutou a brand manager Liliana Ferreira. «O website está feito, agora é só inserir dados, a plataforma já está feita, já está desenvolvida», garante a brand manager ao Portugal Têxtil.

Registando metade das suas vendas além-fronteiras, Hugo Costa, já com a loja online terminada e pronta a ser lançada, defende também a importância da profissionalização. «Queremos profissionalizar mais essa parte da nossa venda direta. Depois, a partir daí, acho que com um website atualizado e com uma loja online também se comunica a uma loja e a um cliente que nós somos competentes, trabalhamos bem e vale a pena apostar em nós», conclui o designer.



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24 Maio, 2017   
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