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Moda entre quatro paredes

Destaques / Tendências / 12 Novembro, 2015

101_6202 (1) 3535025341_fc869fbdeb_bEm Londres, lojas icónicas de designers e marcas ditam o estilo da cidade, irmãs em regime diurno de clubes noturnos que alimentam os sonhos e aspirações dos clientes e visitantes da cidade. Reconhecidos “insiders” lembram e assinalam agora alguns dos espaços incontornáveis da capital inglesa, apresentando uma seleção que começa nos anos 1980 e acaba na atualidade, com direito a banda sonora.

O comércio eletrónico soma e segue dentro das fronteiras do Velho Continente (ver Europa domina e-commerce), lado a lado com a abertura de portas de grandes superfícies comerciais. Estarão, no entanto, estas duas conquistas do tempo capazes de demolir a importância dos espaços icónicos que marcam ruas, cidades e inclusivamente as vidas de quem por lá encontrou muito mais do que roupa?

 

Artista “in absentia” – World’s End, Vivienne Westwood

Altos preços, altas expectativas. A loja World’s End de Vivienne Westwood era um convite à imersão num universo paralelo e bastava estar nas proximidades do espaço para se viver uma aventura, afirma Caryn Franklin, comentadora de moda.

«O espaço que me deu mais emoção foi a loja World’s End de Vivienne Westwood, que apresentava paredes azul-turquesa, chão inclinado, um relógio que andava ao contrário e uma energia fantástica», recorda Franklin. «Naquela altura tinha começado a trabalhar na i-D e tinha pouco dinheiro. A Vivienne havia apresentado a coleção “

Pirate e era diferente de tudo o resto. Estava fora do meu alcance, mas eu ia lá e passava imenso tempo à porta, porque havia pessoas que apareciam apenas pelo convívio», acrescenta.

Vivienne Westwood não costumava estar presente, mas tudo no espaço havia sido tocado por ela. Caryn Franklin não se lembra da música, mas não esquece a estética… nem os tecidos (ver Ensaio sobre a rebeldia).

 

Roupas de segunda – Flip

Numa altura em que tudo girava em volta da música, as roupas eram secundárias e desprovidas de significado se não estivessem em sintonia com os grandes hits dos anos 80. O designer Stephen Jones lembra, a este propósito, a loja Flip, que apresentava outro dos grandes sucessos da época: a roupa em segunda mão.

«O meu espaço favorito era a Flip, que era uma loja de roupa americana em segunda mão e, naquela altura, uma das duas únicas lojas de Long Acre. Não havia mais lojas», lembra Jones. «Era o início da década de 80 e as marcas não importavam. Naquele tempo as roupas estavam ligadas à música; sem a música as roupas não tinham significado. Era o tempo do New Romantic, do New Wave e do Techno, e a Flip era muito entusiasmante e alternativa. Uma verdadeira ode à street fashion, o que «não era considerado moda e não figurava nas revistas mainstream, e foi por isso que a i-D foi criada», revela.

 

Incubadora de ideias – PX

Mais do que uma loja que dava destaque aos jovens designers e às suas ideias vanguardistas, a PX era um verdadeiro ponto de encontro que antecedia a entrada nos clubes noturnos. A originalidade marcava o espaço e distinguia-o de tudo o que existia, aponta Tony Glenville, diretor criativo do London College of Fashion.

«O produto era fresco e mordaz; e os designers eram jovens e prontos para mostrar novas ideias aos clientes, mal conseguissem levá-los para a loja», conta Tony Glenvill. «A Princess Julia, o Stephen Jones, a Helen Robinson, e outros de quem não me recordo, fizeram dela muito mais do que uma loja, mas um ponto de encontro diurno antes de clubes como o Blitz estarem preparados para a noite», explica.

 

A cave – Shop

Com uma clientela conhecida e gerência que incluía uma DJ/cantora, a Shop assumia-se como um espaço de convívio repleto de conexões musicais e uma oferta de roupa eclética. Tudo isto numa cave.

Entre 1994 e meados dos anos 2000, a Shop vendia sobretudo roupa de mulher e era gerida por Pippa Brooks, à data DJ e cantora na banda Posh, um anagrama de Shop. Paul Gorman, jornalista e autor do livro “The Look: Adventures In Pop & Rock Fashion” recorda esses tempos e a seleção forte da Shop, «muito East Village e em Londres ninguém explorava isso», refere.

«Aquele foi o primeiro espaço que vendeu a coleção X-Girl da Kim Gordon e, tal como as suas antecessoras – “Granny Takes A Trip”, “Biba”, “Sex/Seditionaries” – Pippa e Max [Max Karie, sócia e parceira musical de Pippa] tinham uma sólida conexão musical», afirma Gorman.

Ali encontravam-se bandas, apresentadores de TV, escritores e stylists, por isso a loja era algo muito próximo de uma incubadora de criatividade. «O que eu mais gostava era do facto de Pippa e Max serem pioneiras e logo em meados dos anos 1990 a Shop usou o logótipo da Playboy, antes de este ser desbaratado», acrescenta.

 

Concertos e passerelle – Michiko Koshino

«Ir a um desfile naquela altura era como ir a uma discoteca; o público era regulare do “The Wag”, “City of Angels”, “Café de Paris”, “Ministry of Sound” e Shoom», lembra Mandi Lennard, da consultora Mandi’s Basement.

Os desfiles de Michiko Koshino convidavam a passos mais ou menos contidos de dança e o espaço de venda das roupas marcou a memória de Lennard. A loja da designer japonesa ficava fora do radar da moda, o que lhe garantia ainda mais atenção. «Parecia que ninguém sabia que ela estava ali, era tão escondida, e isso constituía grande parte do seu fascínio», reconhece.

 

Antes dos hipsters – Super Lovers

Daryoush Haj-Najafi, editor de estilo na revista Complex recorda a Super Lovers, uma loja que vendia roupas “made in Japan” no início dos anos 2000 na Neal Street. «Era algo “nu-rave” antes do “nu-rave” [termo usado para descrever um género musical que mistura elementos do rock, indie e música eletrónica], muito Harajuku», destaca Haj-Najafi.

Ainda antes do movimento hipster ser conhecido, já os clientes da Super Lovers, apostavam em peças excêntricas e em segunda mão. «Ninguém vestia roupas de designers. Ninguém usava nenhuma marca que não fosse declaradamente falsa», afirma o editor.

 

Arte, livros e moda – Pineal Eye

«Para mim foi uma das lojas mais avant-garde dos finais dos anos 90 e início dos anos 2000. A minha carreira começou no Pineal Eye, aliás. Quando me mudei de Itália para Londres, no final dos anos 1990, comecei a trabalhar lá», revela Nicola Formichetti, diretor criativo da Diesel.

O convite veio de Yuko Yabiku, a japonesa que abriu a original Kokon To Zai, que na altura decidiu erguer um espaço próprio e convidar Formichetti para a aventura. «Inicialmente era suposto ser uma loja de brinquedos japoneses mas eu tinha muitos amigos designers, como Noki, por isso pensámos: “porque não abrir uma loja que venda jovens designers?”. Parece normal agora mas naquela altura ter roupa quase customizada da Noki ao lado da YSL e Hedi Slimane ou Raf Simons e Viktor & Rolf, era algo muito especial», conta do atual diretor criativo da Diesel sobre o espaço multicultural preenchido também por livros e arte.

 

Mais galeria, menos loja – Euforia

O espaço da Euforia, detido pela designer italiana Annette Olivieri, era eclético e descolado, mais próximo de uma galeria do que propriamente de uma loja, sobretudo quando o Carnaval se aproximava.

«Comecei a trabalhar lá em 2000 e vendíamos Bless, Tsubi, Hussein Chalayan, WLT, Hysteric Glamour e livros de arte e zines de figuras como Larry Clark», lembra a designer Carri Munden.

A clientela era composta por adolescentes, turistas japoneses e heróis indie como Damon Albarn, Ian Brown ou Brett Anderson.

 

Talento emergente – Machine-A

Numa interessante seleção de jovens recém-licenciados e designers independentes de estética fora da caixa, a Machine-A de Stavros Karelis é uma aposta clara no talento emergente, sem fazer qualquer distinção entre vestuário masculino e feminino.

«Stavros é incrível na forma como se preocupa com as marcas que vende. Ele despende parte do seu tempo a perceber as coleções, como é que o estúdio trabalha. Quando as pessoas entram na loja, está sempre lá porque sabe imenso sobre as coleções e sobre os designers», revela a designer Nasir Mazhar presença regular na loja que já trabalhou com Anna Trevelyan, diretora de moda da Machine-A.

 



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