Recentes

Longa vida às tendências

Destaques / Tendências / 9 Junho, 2017

A meio da renovação de primavera dos guarda-roupas, colocam-se questões como: De onde vêm as tendências? Estão a suceder-se mais rápido do que nunca ou não tão depressa como deveriam? A sua velocidade acabará por matá-las ou por lhes dar mais força? Como seria de esperar, os especialistas têm diferentes respostas para a mesma pergunta.

Se as tendências de moda estão destinadas a ser um sinal dos tempos, o estado das tendências também pode ser um indicador do fluxo da cultura. À medida que a indústria da moda amadurece na era digital, as tendências não estão apenas a chegar e a partir a diferentes ritmos, mas também a emergir de fontes novas e diversificadas. Todos os dias parece haver uma nova tendência e manter-se atualizado pode ser uma tarefa inglória.

«Durante muito tempo, as tendências vieram da cultura pop e das passerelles», afirma Roopal Patel, diretora de moda da Saks Fifth Avenue, à W Magazine. «Mas, atualmente, com a tecnologia, as tendências também vêm de recursos e lugares muito mais obscuros do que se poderia pensar», explica.

Além das tendências que agora estão a ser ditadas pelos adolescentes em redes sociais como o Instagram, estas também são disseminadas por diferentes áreas da cultura, acrescenta Patel. À medida que os consumidores se preocupam mais com o bem-estar, por exemplo, os designers estão a prestar mais atenção ao desporto, daí a proliferação do athleisure. O mesmo vale para as preocupações éticas e ecológicas.

«Todos se questionam quando esta tendência do athleisure vai desaparecer», aponta Patel. «Mas os designers estão a observar como as pessoas estão a viver o quotidiano. Antes, só calçavam sapatilhas para o ginásio e agora têm sapatilhas para cada aspeto da sua vida», prossegue.

Assim, algumas tendências acabam por ter mais vida útil, considerando que estão em sintonia com aquilo que o consumidor precisa e não apenas com aquilo que ele quer num determinado momento. Claire Distenfeld, fundadora da Fivestory, acredita que hoje as tendências vêm de muitas e diferentes fontes e acabam por circular mais lentamente do que nos anos anteriores. «As tendências vão ficando cada vez maiores, mais difundidas e aprovadas por todas essas diferentes plataformas» admite. O cor-de-rosa millennial, uma das cores vencedoras das últimas estações de moda, é um exemplo de uma tendência que transitou de uma pequena comunidade de criativos para as grandes empresas, aponta.

É por essa mesma razão, no entanto, que Bruce Pask, diretor de moda masculina na Bergdorf Goodman, acredita no oposto. «Acho que entramos e saímos de tendências muito mais rapidamente do que no passado, simplesmente porque há muita informação visual lá fora», explica. Já Patel mostra-se dividida, afirmando que há dois tipos de consumidores quando se trata de seguir as tendências, os que seguem o imediatismo das redes sociais e os que acompanham os tempos das passerelles e do calendário tradicional.

Há um aspeto das tendências, contudo, que está certamente mais acelerado do que nunca: a nostalgia. A moda é cíclica e o velho torna-se novo na passerelle pela intervenção do rasgo criativo dos designers – veja-se o regresso da estética dos anos 1980 este ano. Mas à medida que os consumidores mais jovens se tornam mais influentes e revivalistas, as viagens ao passado são cada vez mais frequentes. «Fiquei emocionada e surpresa ao ver a Juicy Couture voltar com a Vetements», reconhece Patel sobre este fenómeno. «Está a regressar para uma nova geração», sublinha.

Todavia, agora, os consumidores estão tão informados que, muitas vezes, sabem exatamente o que querem e não precisam de indicações sobre o que é ou não tendência. Depois de as botas de cristal da Saint Laurent cruzarem a passerelle, por exemplo, Patel recorda que, no dia seguinte, havia já uma lista de espera para o modelo. Não é exatamente “ver agora/comprar agora”, mas é indicativo de uma cultura em que as tendências são definidas imediatamente. «Na Bergdorf Goodman, recebemos muitas vezes pedidos de peças imediatamente depois de serem usadas por músicos», revela Pask.

Ao mesmo tempo, as celebridades também estão agora a vestir-se com base no que veem em jovens ou influenciadores nas redes sociais, pelo que a cultura pop já não está tanto na posição de ditadora, mas na de observadora. «A exposição é o melhor amigo de uma tendência, mas também é o pior inimigo», considera Claire Distenfeld. Por definição, uma tendência é algo que um coletivo de pessoas segue mas, “estar na moda” é estar um passo à frente de todos os outros. É por esta razão que os buyers se cansam frequentemente de uma tendência antes de esta atingir o público mainstream. «É engraçado, porque para mim, “tendência” é realmente a pior palavra», afirma Distenfeld. «É uma forma de dizer: “Esta é a forma de se parecer com toda a gente». Não obstante, no final do dia, Distenfeld também reconhece que a tendência em si nunca vai sair da moda.



Etiquetas: , ,




Notícia Anterior

Olivia Jeans: palavra de denim

Próxima Notícia

Goucam reinventa-se




Sugestões

Olivia Jeans: palavra de denim

A marca emergente que coloca o denim no feminino herdou o nome de uma das “It girls” mais conhecidas do mundo – Olivia...

8 Junho, 2017   
RECEBA A NEWSLETTER
Dos desfiles às tendências, designers e eventos, a fashionup.pt leva as últimas notícias da moda diretamente à sua caixa de correio.
Os seus dados não serão partilhados com terceiros.
GET THE NEWSLETTER
From runway shows to trends, designers and events, fashionup.pt takes the latest fashion news straight to your inbox.
Your information will not be shared with any third party.
CONTACT US
Please contact us with any editorial or advertising questions.
Thank You. We will contact you as soon as possible.
Contacte-nos
Para questões editoriais ou de publicidade, por favor contacte-nos.
Obrigado. Entraremos em contacto o mais breve possível.
RECEBA A NEWSLETTER
Dos desfiles às tendências, designers e eventos, a fashionup.pt leva as últimas notícias da moda diretamente à sua caixa de correio.
Os seus dados não serão partilhados com terceiros.