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O legado de Raf Simons

Designers / Destaques / 2 Fevereiro, 2017

raf-simonsJunto da ala feminina, o designer belga ficou conhecido pelo papel que interpretou como diretor criativo da casa Dior. Porém, no menswear, a autoridade de Raf Simons vai muito além de uma mera função, sendo adjetivado de “ícone” pelos portais da especialidade.

Para muitos amantes de moda, Raf Simons resume tudo aquilo que a expressão menswear abarca e, por essa razão, o designer belga é hoje uma figura incontornável no sector, revê o portal Fashionista.

Desde que foi nomeado diretor criativo da Dior em 2012 – depois de um período de sete anos na Jil Sander –, Simons conquistou a crítica. Agora, com a marca epónima a apresentar-se na semana de moda masculina de Nova Iorque (ver O frio que vem dos homens) e com a antecipada estreia em passerelle ao leme criativo da Calvin Klein, na semana de pronto-a-vestir feminino da Big Apple poucos dias depois (ver Simons confirmado na Calvin Klein), o belga chegou a mais um momento decisivo da sua carreira.

Filho do vigia do exército Jaak Simons e da empregada de limpeza Alda Beckers, Raf Simons cresceu no município belga de Neerpet. Tal como os seus pares, que encontram conforto na arte e cultura, o designer teve na música o escape ao tédio da cidade natal.

Num perfil recentemente traçado pela publicação cultural 032c, Simons descreve o seu berço como desprovido de galerias, cinemas e boutiques. «Toda a existência além da escola foi construída em volta da música», afirmou.

rafExposto a artistas como Blondie e David Bowie através de programas de televisão como “Top Pop”, Simons alargou os horizontes na loja de discos local, que importava bandas inglesas e americanas como New Order e Sonic Youth, dois grupos que deixaram uma impressão visual duradoura no então adolescente.

Raf Simons deixou Neerpelt para estudar design industrial em Genk, na Bélgica, desenvolvendo uma afinidade por designers como George Nakashima e Jean Prouvé. Só quando começou a estagiar com Walter Van Beirendonck, membro dos Antwerp Six, o jovem percebeu que queria desenhar vestuário.

Já um ávido seguidor do trabalho de Helmut Lang, foi o desfile primavera-verão 1990 de Martin Margiela que mostrou a Raf Simons o poder cativante de um desfile de moda com uma narrativa. A coleção em branco total foi encenada numa tenda e envolveu crianças de rua, subvertendo o brilho e o glamour em favor de algo simultaneamente bruto e etéreo, relevante e pungente. O desfile terá levado Simons às lágrimas.

raf-simons3A primeira coleção de Raf Simons estreou no outono-inverno de 1995/1996 e foi inspirada pelos uniformes escolares que o designer outrora usava. O imaginário dos uniformes – dos escolares aos militares – assumir-se-ia depois como tema recorrente em Simons.

Ao longo dos 22 anos da marca epónima, o legado de design Raf Simons pode ser reduzido a algumas coleções memoráveis. A coleção “Isolated Heroes”, de 1999, viu Simons juntar-se ao fotógrafo David Sims para uma sessão de fotografia com adolescentes belgas que interpretaram também o papel de modelos no desfile do designer. As imagens acabariam por regressar às passerelles estampadas nas peças da coleção primavera-verão 2016.

Esta ode à juventude transformou-se noutro dos temas-chave do designer e os retratos de David Sims viriam a influenciar o merchandising da tour “Purpose” de Justin Bieber, apresentando o rosto da estrela pop impressa em t-shirts gráficas igualmente a preto e branco.

As coleções “Virginia Creeper” (outono-inverno 2002/2003) e “Consumed” (primavera-verão 2003) são também frequentemente citadas como expoentes máximos do génio criativo de Simons. Mais do que isso, as duas servem frequentemente como referências explícitas no trabalho de designers como Virgil Abloh.

Já a coleção “Riot, Riot, Riot”, dedicada ao outono-inverno 2001/2002, por exemplo, parece estar devidamente sincronizada com o clima geopolítico atual, retratando adolescentes mascarados em rebelião, embainhando camadas largas e casacos bomber oversized com patches gráficos da banda Mission of Burma.

Considerando o seu impacto, estas peças regressaram inclusivamente à moda pela mão de celebridades como Kanye West, A $ AP Rocky e Rihanna e pela intervenção do stylist David Casavant, que as mantém atuais e relevantes.



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