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Híbridos de museu

Cultura / Destaques / 30 Junho, 2016

techstyle3Em 2016, a aliança da moda com a tecnologia tem merecido particular destaque dentro dos programas dos museus. O exemplo mais flagrante da atenção dada à catalogação da interseção dos dois universos aconteceu no Met, em Nova Iorque, que lhe dedicou o tema da gala anual e respetiva mostra. Porém, se “Manus vs Machina: Fashion In The Age Of Technology” pesou tecnologia e trabalho artesanal, “#techstyle” analisa apenas a intervenção da primeira no desenvolvimento dos mais radicais híbridos da moda.

Patente até dia 10 de julho no Museum of Fine Arts, em Boston, a exposição “#techstyle” explora as conexões entre moda e tecnologia através do trabalho de designers e starups que têm transformado peças de vestuário em verdadeiros gadgets.

Um vestido que, captando energia solar, pode recarregar a bateria de um telemóvel, um casaco que muda de cor em resposta ao calor e à luz ou mesmo a prótese tipo compasso “The Spike” integram a exposição.

O The Wall Street Journal explorou as diferentes áreas da mostra e deixou um convite aos que ainda podem vir a percorrê-la e um resumo àqueles que não vão conseguir visitá-la.

techstyle5Das 60 peças expostas, as mais antigas datam de 2005 e as restantes foram desenvolvidas de 2010 em diante.

Numa região dona de uma história rica em inovação – a máquina de costura Singer foi patenteada em Boston, em 1851 –, os curadores do Museum of Fine Arts, Pamela Parmal, Michelle Finamore e Lauren Whitley, que coorganizaram a mostra, decidiram cruzar as experiências de designers locais com o trabalho influente de gurus internacionais do avant-garde.

A prótese acima mencionada, por exemplo, foi feita para a artista pop “biónica” Viktoria Modesta, que colaborou na sua conceção, em Londres, e que agora está a trabalhar com o grupo de biomecatrónica do MIT Media Lab.

 

Os visionários

O primeiro espaço da exposição apresenta quatro designers visionários: Hussein Chalayan, Alexander McQueen, Issey Miyake e Rei Kawakubo.

O “Remote Control Dress”, assinado por Chalayan em 2005, é considerado pelos insiders como emblemático. Feito de fibra de vidro, e com o auxílio da robótica, o vestido tem abas que podem ser abertas e fechadas à distância, mudando-lhe a forma.

 

Performance e produção

A exposição abre-se depois para duas galerias intituladas “Performance” e “Production”. As peças expostas na galeria “Performance” são, cada uma à sua maneira, uma forma de arte em movimento.

A camisa de Ying Gao “Incertitudes” (2013) é um dos itens revistos. A peça é feita com fluoreto de polivinilideno e, graças a sensores, a sua superfície é ativada pela voz. O “CuteCircuit MFA Dress”, um vestido de seda com milhares de microLEDs incorporados, foi criado para a mostra pela designer Francesca Rosella e pelo especialista em computação Ryan Genz. Um iPad permite que os visitantes mudem o padrão do vestido.

«Questiono-me muitas vezes», pode ler-se numa citação da designer holandesa Iris van Herpen incluída na mostra, «se vou usar tecido no futuro ou se o ato de vestir se vai tornar algo não material, algo que não é visível, tangível ou palpável» (ver As interseções de Iris van Herpen).

techstyleEsta questão deixa uma introdução à galeria “Production”, espaço que aborda os designers que recorrem à tecnologia para repensar os materiais e processos produtivos.

Aqui, a impressão a três dimensões (3D) tem particular destaque. As “Molecule” de Francis Bitonti (2015), umas sandálias plataforma que se parecem com castelos de areia, são o resultado de um algoritmo que simula o crescimento celular. Já o vestido “Kinematics 8” (2016), criado pela Nervous System, é uma peça única, em poliamida impressa a 3D.

 

Futuro verde

Enquanto isso, seguindo os passos dos mestres Miyake e Kawakubo, muitos jovens designers estão agora a jogar com o poliéster (outrora uma palavra excluída dos dicionários da alta moda), pelo pendor reciclável das fibras e, portanto, sustentável, que tem também maior durabilidade, solidez de cor e resistência à ruga.

techstyle7Nesta onda “verde”, o consumo de água é igualmente abordado pela mostra. A indústria têxtil – entre tinturaria e acabamentos – é responsável por quase 20% da poluição mundial da água.

O “Water Splash Dress” de Van Herpen (2013), um “salpico” esculpido a partir de plástico aquecido, parece cristalizar essa verdade.

Para terminar, e com os olhos postos no futuro está o projeto conjunto da marca holandesa G-Star Raw com a empresa Bionic Yarn, que recolhe garrafas de plástico do fundo do oceano para as transformar em denim (ver O mergulho das marcas).

 



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