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Havaianas: passos corruptos

Destaques / Marcas / 25 Julho, 2017

São o porta-bandeira do calçado brasileiro e, por esta altura, item imprescindível em muitas malas de viagem. No entanto, a história da Havaianas passa também pelo caminho sombrio da corrupção.

Depois de um período de negociações, a brasileira J&F Investimentos concordou em vender a participação maioritária na Alpargatas (ver Havaianas com venda oficializada), fabricante das populares Havaianas, às empresas de investimento das famílias bancárias mais proeminentes do país por 3,5 mil milhões de reais (aproximadamente 955 milhões de euros).

Nos termos do acordo, as holdings Cambuhy Investimentos, Itaúsa Investimentos e o fundo Brasil Warrant vão dividir a participação de 54% da J&F na Alpargatas.

A tão aguardada venda é a primeira da J&F, a holding que supervisiona a fortuna dos irmãos Joesley e Wesley Batista, recentemente atingida por uma multa recorde por corrupção que abrange mais de 25 anos da história da empresa.

Os rendimentos da venda irão ajudar a J&F a acelerar os pagamentos da multa de 10,3 mil milhões de reais, segundo a informação avançada estes dias pela Reuters.

A Alpargatas, com sede em São Paulo, fabrica e comercializa as Havaianas e controla também várias marcas de moda brasileiras, incluindo a Osklen.

Sucesso em números

O sucesso do modelo inspirado pelas sandálias japonesas começou em 1962. Quando a Havaianas lançou os primeiros pares, estes tinham uma sola de borracha branca básica com tiras azuis. Mas, em 1969, um funcionário pintou acidentalmente as tiras de verde e, para surpresa da Alpargatas, a variante teve bastante adesão. Desde então, as Havaianas passaram a ter diferentes cores e desenhos.

Anualmente, são vendidos 200 milhões de pares de Havaianas, 16% dos quais exportados.

A empresa brasileira já soma 150 modelos diferentes, do mais básico estilo de praia ao exemplar com cristais Swarovski.

Hoje, a Alpargatas tem mais de 700 pontos de venda em mais de 100 países.

«As Havaianas representam a alma brasileira e são um objeto de desejo, sinónimo de um Brasil que funciona», afirmou Claudio Goldberg, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas, à agência noticiosa AFP.

A empresa revelou que dois terços dos brasileiros compram, em média, um par de Havaianas por ano. Já como prova do apelo internacional da marca, as sandálias passeiam nos pés de nomes como Madonna, David Beckham ou Kim Kardashian.

Analisando a venda e o historial de corrupção, Goldberg ressalvou que «já é bom que a marca continue brasileira», porque assim a empresa «não perderá a sua identidade».

Quanto aos novos proprietários, adiantaram que pretendem que a marca alargue, ainda mais, o seu raio de ação dentro do mercado norte-americano.

 



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