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Europa domina e-commerce

Destaques / Tendências / 30 Junho, 2015

A-Day A-Day-2 Meg-NinaO continente europeu é atualmente considerado o centro da inovação no que à moda diz respeito. As start-ups multiplicam-se, Portugal ocupa a linha da frente da investida e Londres assume-se como vórtice de tudo isto. Os empresários em fase de arranque mostraram ao Financial Times o que faz deste o lado certo do Atlântico.

Todas as manhãs, onde quer que estejam no mundo, Meg He e Nina Faulhaber acordam, vestem-se e fazem uma pose antes de enviar uma fotografia para os seus milhares de seguidores.

As fanáticas do fitness na casa dos 20, que se conheceram em 2010 na Goldman Sachs, estão a lançar uma marca desportiva feminina online chamada ADay para todas as millennials e seguem uma estratégia diferente.

Evitando as rotas de marketing e publicidade tradicionais, as duas jovens recorrem ao Instagram e a outros media sociais para apresentar a sua linha de moda numa série de fotos brilhantes, seja com boxe nos telhados de Berlim ou alongamentos de ioga extenuantes nas calçadas de Los Angels.

«É a nossa maneira de construir uma história para as fãs da marca, mostrando-nos a ser espontâneas, mulheres nómadas – pessoas que imaginamos que as nossas clientes sejam», explicou Meg He ao Financial Times.

He e Faulhaber juntam-se assim a uma nova vaga de moda que está a ignorar Silicon Valley ao estabelecer a sua base a partir de casa.

«Era óbvio qual o lado do Atlântico onde queríamos a nossa sede», afirmou Faulhaber. «Sabíamos que tínhamos de estar em Londres se queríamos que a nossa marca tivesse força real. Londres é a capital mundial em start-ups de moda. E quando mostrámos o plano aos nossos investidores, tanto na Europa como nos EUA, eles concordaram».

 

Portugal na corrida

Vários negócios erguidos a partir de casa, revelados no início deste ano, ajudaram a selar a reputação do (outrora) Velho Continente.

Em março, a retalhista online italiana Yoox anunciou que estava a tomar de assalto a sua rival Net-a-Porter para formarem o maior retalhista de luxo online, gerando vendas de 1,3 mil milhões de euros.

Algumas semanas antes, a Farfetch, nascida em Portugal, teve uma gritante avaliação de mil milhões de dólares.

Mas, por que motivo se transformou a Europa num foco de investimento e inovação?

«Simplificando, a criatividade e o design são áreas em que a Europa tem vantagem em relação aos EUA. Tem uma forte herança e raízes de produção que muitas das start-ups querem ter por perto», aponta Giuseppe Zocco, cofundador da Index Ventures, que fez investimentos iniciais na Nasty Gal, Farfetch e Net-a-Porter.

Zocco acredita ainda que a proximidade geográfica das marcas de moda e das principais escolas de arte ajuda os empresários a construírem os seus negócios em solo europeu.

O fundador do grupo Yoox, Federico Marchetti, o milionário que chamou à ligação com a Net-a-Porter o «momento decisivo» da sua carreira, concorda com Giuseppe Zocco.

Marchetti lançou o Yoox na viragem do milénio como um local onde as marcas de moda poderiam lucrativamente dispor os seus stocks de final de temporada. Depois disso, expandiu as ofertas para incluir o pronto-a-vestir, bem como a execução em separado das operações digitais de mais de 30 marcas de luxo, incluindo Valentino, Dolce & Gabbana e Giorgio Armani.

Frédéric Court, um investidor francês do arranque da Farfetch, lançou recentemente o Felix Capital, um fundo de 120 milhões de dólares para a moda e luxo focado em tecnologia com sede em Londres. Court acredita que a Europa assumiu a liderança em parte porque muitos dos players de Silicon Valley «não apreciam moda».

 

Londres como capital

Outros argumentam também que Londres tem emergido como epicentro da tecnologia da moda porque é onde o capital e o talento colidem.

O CrunchBase, um site que reúne dados sobre os investimentos em fase de arranque, revelou que 60 start-ups de moda foram fundadas em Londres nos últimos cinco anos.

E, segundo o Euromonitor, a moda e o calçado na Web na Grã-Bretanha tiveram um valor de 9 mil milhões de libras em 2014.

Chris Morton, cofundador e presidente-executivo da retalhista de moda online Lyst, sustenta que Londres é capaz de atrair um completo caldeirão de talento, reunindo criatividade, engenharia e dados, graças, em parte, à livre circulação de trabalhadores dentro da UE.

Já nos EUA, o talento criativo e a engenharia são divididos entre Nova Iorque e Silicon Valley.

 

Desbravar caminho

A Europa também começa a liderar o caminho da adoção de novas tecnologias no universo da moda. «As start-ups de moda europeias tendem a evitar duplicar-se e concentram-se em desbravar novos caminhos, como visto com os seus e-commerce móveis e modelos e plataformas direcionadas para as partilhas sociais», explicou Harry Briggs, ex-Balderton Capital, o maior investidor institucional do grupo Yoox até 2009.

Por exemplo, a Rad, uma start-up francesa que apresenta 1.500 marcas emergentes, fez uso das redes sociais para dominar os guarda-roupas dos adolescentes europeus. Porém, esta não deixa de piscar o olho aos jovens norte-americanos. Um mercado necessário para a empresa «ter realmente sucesso». Pensamento que se alastra a outros negócios semelhantes e que pode representar um dos maiores desafios para estas start-ups.

Ainda assim, marcas emergentes como a ADay não se deixam dissuadir ou enraizar em território americano, insistindo que um computador com ligação à internet basta para chegar onde se quer.

«A tecnologia é sobre sonhos, é sobre criar futuros emocionantes, seja qual for o sector – e nós sabemos que o que estamos a construir é um reflexo de como queremos que o nosso futuro seja», resume Nina Faulhaber.

 

 



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