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Dupla de sucesso

Cultura / Destaques / 17 Março, 2016

Iris van Herpen, SS11Amsterdam FashionweekOs museus têm vindo a mostrar-se particularmente atentos ao impacto que a tecnologia está a surtir na moda. A retratá-lo está o conjunto de certames relativos à atual dupla de sucesso. As mostras “#techstyle”, patente no Museum of Fine Arts, em Boston, até 10 de julho, e “Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology “ com abertura no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, a 5 de maio, são apenas alguns dos exemplos.

 

A holandesa Iris van Herpen foi a primeira designer a levar para a passerelle, na sua coleção “Crystallization”, uma peça de alta-costura impressa a três dimensões – uma parte superior marcada pela reconhecida assinatura futurista de van Herpen. A peça em questão faz parte de um conjunto exposto em “Iris van Herpen: Transforming Fashion”, patente até 15 de maio, no High Museum, em Atlanta (ver As interseções de Iris van Herpen).

A exposição, a primeira incursão do museu na área da moda, é também a primeira mostra a solo nos EUA dedicada a van Herpen. A designer está na vanguarda de uma onda de criadores que têm vindo a recrutar as novas tecnologia – como a impressão 3D, corte a laser e tecelagem digital – em processos manuais tradicionais para alcançar formas radicais, novos materiais e roupas que respondem ao próprio corpo.domus-09-van-herpen-transforming-fashion

O curador Ron Labaco, em declarações ao The New York Times, refere estar a assistir a uma aceitação institucional mais ampla desta tendência desde que incluiu alguns trabalhos de moda produzidos digitalmente na sua exposição de 2013 “Out of Hand: Materializing the Postdigital”, no Museum of Arts and Design, em Nova Iorque.

Quando Labaco estava a organizar a mostra, recorda ter sido abordado por um diretor de um museu de moda europeu que lhe disse não haver «movimento significativo na direção da produção de moda nem mesmo para justificar um capítulo no catálogo».

Labaco explicou que, hoje, «estamo-nos a afastar ideia de novidade e a ir em direção a artistas que estão a dedicar as suas vidas a explorar o que é possível».
O High Museum of Art tem três peças de van Herpen na sua coleção permanente, de acordo com Sarah Schleuning, curadora da mostra, que sublinhou que «certamente, os maiores consumidores das suas peças são os museus». O The Metropolitan possui cinco e a aquisição do Museum of Fine Arts, em Boston, do coordenado impresso a 3D desenvolvido em colaboração com a Neri Oxman (que se especializa em biomimética), foi o ponto de partida para “#techstyle”.

«Estamos a tentar apresentar o presente e o futuro da moda», reconheceu Michelle Finamore, curadora da exposição de Boston, que tem obras de 30 países e designers que incluem Alexander McQueen, Hussein Chalayan e Mary Katrantzou. «Estas tecnologias estão a ter impacto não só na conceção do trabalho de designers, mas também no modo como interagimos com as nossas peças de vestuário», acrescentou.

manus x machina_1E se “#techstyle” está focada no futuro das peças de vestuário como gadgets, “Manus x Machina” será mais uma retrospetiva histórica relação entre a moda feita à mão e aquela intervencionada pela máquina (ver Mãos versus Máquina). «Se olharmos para trás, para a invenção do tear jacquard ou da máquina de costura, a moda sempre foi definida pelas mais recentes tecnologias», sublinhou Andrew Bolton, organizador do evento do Costume Institute.

Atendendo a uma cultura em que as pessoas fazem fila para a próxima iteração do iPhone, os museus têm destacado particular atenção ao feedback do público a estas mostras. «Descobri que mesmo a simples adição de 10% de moda em “Out of Hand” trouxe pessoas ao museu que, de outra forma, não teriam vindo», destacou Labaco.

A exposição teve maior afluência do que qualquer outra patente no museu nos últimos quatro anos.

No High Museum of Art, optar por fazer a estreia de moda com van Herpen, em vez de Gaultier ou Saint Laurent, foi um risco, afirmou Schleuning. Não obstante, a exposição teve 100 mil visitas nos primeiros dois meses. «Tem apelado muito ao público mais jovem», revelou.

«A moda é uma forma de arte muito democrática», resumiu Bolton, que considera que o tema “Manus x Machina” é particularmente relevante para as práticas atuais. «Atrai um grande público, porque é imediatamente compreensível», concluiu.



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