Recentes

Corrida de Ramadão

Destaques / Marcas / 3 Julho, 2015

LOOK11_011_39LO Ramadão não é apenas um período de contemplação religiosa, é também, para os retalhistas, um momento de vendas e receitas extravagantes, num momento em que diversas marcas e insígnias começam a dirigir-se deliberadamente a este segmento de consumidores, diz o New York Times.

Tommy Hilfiger é um dos mais recentes designers e retalhistas que procuram capitalizar o advento do Ramadão, o mês mais sagrado do calendário lunar muçulmano. Num tempo de jejum e contemplação, alternados com encontros festivos da família e amigos, emergiu nos últimos anos como um mês de gastos extravagantes que é rivalizado, dizem alguns, apenas pelo Natal .

Já em 2012, o Euromonitor International destacou esta tendência. «Como o Natal, um contexto religioso serve de motivação para a reunião das famílias e amigos», explicou a analista Ilse Thomele, prevendo que «um típico consumidor do Ramadão irá provavelmente emergir, da mesma forma que o cliente de Natal é um fenómeno global».

Essa tendência não escapou à Net-a-Porter, que no mês anterior assinalou o início da celebração com o anúncio online de “Edição de Ramadão”.

A iniciativa foi um tanto ousada. «É a primeira vez que abordamos o Ramadão tão diretamente», afirmou Holly Russell da Net-a-Porter, ao New York Times. No entanto, o feedback proveniente do Facebook e outras redes sociais tem sido positivo. «Ainda não aferimos verdadeiramente o impacto que terá», ressalva

Estes apelos a um segmento afluente da comunidade muçulmana nunca foram tão amplos e diretos.

Em Londres, onde o fluxo anual de compradores do Médio Oriente é já denominado de Corrida de Ramadão, «o Ramadão tem sido o segredo não pronunciado de todas as grandes lojas», revela Ed Burstell, diretor-executivo da Liberty of London. Referindo-se à edição da Net-a-Porter, acrescenta que «esta é a primeira vez que vi um cliente do Ramadão tão descaradamente perfilado». E tais esforços começam a suscitar controvérsia, adiantou.

A corte de muçulmanos está a ser recebida com ceticismo em alguns segmentos. O problema das corporações, aponta Fareeha Molvi, uma jovem muçulmana-americana, numa participação no site Racked, «é que eles raramente fazem as coisas de pura boa vontade». Para as lojas, Molvi observa que «os ganhos financeiros são a maior motivação».

No entanto, a definição de perfis é, para alguns, apenas outra definição de marketing astuto, estratégico e progressivo, uma tentativa de identificar os consumidores, as mulheres em particular, que tradicionalmente recebem o Ramadão, envergando as suas melhores vestes.

Alguns consumidores muçulmanos estão dispostos a aderir a esta tendência, despendendo montantes estimados entre os 300 e os milhares de dólares numa única visita online ou em loja, colocando temporariamente de lado as suas abayas e burcas em prol de caftans bordados, vestidos coloridos, flanelas folgadas e vestimentas ornamentadas a dourado para usar à noite e nas festividades Eid al-Fitr, que marcam o fim do Ramadão.

Russell descreve as mulheres como viajadas, esclarecidas face às novas tecnologia e conscientes da moda. «Elas veem as imagens das passerelles e se virem algo que querem, vão pedi-lo», acrescenta.

Os compradores que visitam a Moda Operandi, que introduziu uma linha online pré-Ramadão no início de fevereiro, esperam exclusividade, afirma Jamie Freed, vice-presidente de experiência do cliente. Embora diversas marcas de luxo como Naeem Khan, Oscar de la Renta, Monique Lhuillier e Badgley Mischka se tenham revelado muito populares, os clientes – «mulheres que se vestem para outras mulheres», como destaca Freed – estão «menos preocupadas com marcas do que com ter algo que mais ninguém tem».

Outros têm sido mais cautelosos nos seus esforços de marketing. Casas de moda como Tommy Hilfiger e DKNY, que estão a oferecer, pelo segundo ano consecutivo, uma coleção especial de Ramadão, têm arriscado pouco, vendendo as suas linhas estritamente no Médio Oriente.

Alguns encaram essa prudência como uma oportunidade perdida. De acordo com um estudo divulgado no ano passado pelo Consórcio Americano do Consumidor Muçulmano, do total de dois mil milhões de muçulmanos em todo o mundo, cerca de nove milhões residem na América do Norte. Sabiha Ansari, uma das fundadores do consórcio, estima o poder de compra muçulmano nos EUA em 100 mil milhões de dólares. A sua esperança, diz, é que os retalhistas americanos reconheçam os muçulmanos do país como uma força económica forte.

Essa mensagem ecoou de forma determinante no sector de luxo. A Neiman Marcus não se dirige ainda deliberadamente aos compradores muçulmanos, mas sustenta que «o Ramadão surgiu como uma oportunidade que precisamos de compreender melhor. Precisamos de explorar mais para descobrir quais são as oportunidades», justifica Ginger Reeder, porta-voz da retalhista..

 



Etiquetas: , ,




Notícia Anterior

Quem feio ama…

Próxima Notícia

O adeus de Donna Karan




Sugestões

Quem feio ama…

Com o verão chegam, também, as aventuras de moda mais ousadas e, num momento em que as calças compridas já não escondem...

2 Julho, 2015   
RECEBA A NEWSLETTER
Dos desfiles às tendências, designers e eventos, a fashionup.pt leva as últimas notícias da moda diretamente à sua caixa de correio.
Os seus dados não serão partilhados com terceiros.
GET THE NEWSLETTER
From runway shows to trends, designers and events, fashionup.pt takes the latest fashion news straight to your inbox.
Your information will not be shared with any third party.
CONTACT US
Please contact us with any editorial or advertising questions.
Thank You. We will contact you as soon as possible.
Contacte-nos
Para questões editoriais ou de publicidade, por favor contacte-nos.
Obrigado. Entraremos em contacto o mais breve possível.
RECEBA A NEWSLETTER
Dos desfiles às tendências, designers e eventos, a fashionup.pt leva as últimas notícias da moda diretamente à sua caixa de correio.
Os seus dados não serão partilhados com terceiros.