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Corrida aos bens em segunda mão

Destaques / Tendências / 10 Julho, 2015

A-SR_6018 10904430_1528800677403841_547524019254244122_oEm resultado da recessão económica, uma parte do estigma associado à compra de acessórios de luxo em segunda mão diminuiu nos últimos anos, despoletando a emergência de um novo mercado, que se expande nas plataformas digitais.

O mercado de bolsas de luxo, relógios e joias usados atingiu os 16 mil milhões de euros no ano passado, de acordo com um estudo realizado pela consultora Bain and Altagamma, um organismo italiano que representa os fabricantes de bens de luxo. E, se por um lado, 80% das vendas ocorre ainda em espaços de retalho físicos, as vendas online estão a escalar rapidamente, revela o estudo.

«Somadas as vendas de todos os grandes grupos de luxo nos últimos 20 anos, falamos de 2 biliões a 3 biliões de euros de mercadoria depositados nos armários das pessoas», revela à AFP Loic Bocher, cofundador da Collector Square, um site que afirma conceder uma «outra vida» aos itens de luxo.

O site, que soma apenas dois anos de vida, alcançou esse objetivo com 5.000 artigos de luxo no ano passado. A plataforma Collector Square disponibiliza mais de 1.600 bolsas no seu site, incluindo mais de uma dúzia de Birkins, o lendário modelo Hermès que é, de longe, o seu bem mais procurado.

«A Birkin é mais difícil de obter e muitas vezes estimula licitações sucessivas, mas é preciso estar ciente de que não é, de todo, representativa do mercado de segunda mão», explica Bocher.

Os modelos Hermès em segunda mão mais apreciados podem atingir preços até 20% mais elevados do que os seus equivalentes de marca novos, enquanto as restantes marcas vendem com um desconto de entre 30% a 90%, de acordo com um estudo realizado pela Exane BNP Paribas, publicado em março, em colaboração com o site InstantLuxe.

Com uma Birkin, «o mercado enlouquece: uma bolsa pode ser vendida dentro de algumas horas e atinge 10.000 ou mesmo 14.000 euros. É o Rolls-Royce das bolsas», afirma Yann Le Floc’h, fundador da InstantLuxe, cujo volume de negócio duplicou entre 2013 e 2014.

 

Desejo cultivado

Desenhada para a atriz e cantora Jane Birkin, em 1984, as bolsas são confecionadas à mão em França e estão disponíveis em diversos tamanhos, cores e couros. As bolsas são instantaneamente reconhecíveis pela sua aba de fecho e cadeado, com o modelo clássico de 35 centímetros a ser vendido a partir de 7.400 euros.

Não é, por isso, difícil compreender a motivação que impele os fãs de Birkin a rumarem à Internet. Pode levar meses a encontrar um novo modelo numa loja Hermès – a marca controla cuidadosamente o seu fornecimento –, especialmente quando se pretende uma cor ou couro particular.

«Essa é a chave para o luxo: manter cuidadosamente uma lacuna entre a oferta e a procura», aponta Bocher. «E as marcas trabalham arduamente para cultivar esse desejo».

De acordo com Le Floc’h, a crescente procura de peças em segunda mão online, assenta na transformação da perspetiva do público face aos produtos de luxo. Atualmente, o mais importante, é «o estado de espírito associado à utilização de um produto de luxo», enquanto, anteriormente, se relacionava com a posse e a transmissão dos bens..

Os clientes asiáticos, em particular, estão a impulsionar a tendência de compras do modelo Birkin, acrescenta Le Floc’h. «Foram os chineses que ditaram o mercado Birkin», conta. «Há dois anos atrás, o modelo de 35 centímetros era a norma, mas hoje é o modelo de 30 centímetros, porque há mais asiáticos no mercado», e eles preferem bolsas de menor dimensão.

 

A admiração por um modelo Birkin particular estabeleceu recentemente o recorde da bolsa mais cara alguma vez vendida num leilão da Christie’s.

O modelo de pele de crocodilo fúcsia, com um fecho em ouro branco e cadeado incrustado com diamantes, foi arrematado por um licitante asiático, pelo valor de 222.912 dólares, num leilão marcado por uma «licitação acelerada do início ao fim», anunciou a Christie’s.

Luca Solca, analista da Exane-BNP Paribas, afirma que a maior parte da procura europeia de bolsas de luxo em segunda mão será, provavelmente, “daigou” – intermediários chineses que compram produtos de segunda mão em excelente estado de conservação, a fim de vendê-los em território chinês como bens novos.

A fim de garantir a autenticidade dos artigos vendidos nos seus sites, as plataformas Collector Square e InstantLuxe recorrem a especialistas, que também avaliam o estado de conservação das bolsas.

Porém, não é ainda claro o impacto que o próspero mercado de segunda mão online terá sobre as marcas de luxo, que investem intensivamente no controlo das suas vendas.

«Damos valor a estes produtos e provamos que são intemporais», advoga Bocher em defesa de sites como o Collector Square. «E, para as marcas, é mais vantajoso ter um mercado de segunda mão estruturado com controlo de autenticidade», conclui.

 



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