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Corredores de escola

Desfiles / Destaques / 24 Novembro, 2015

EMP_082 ESAD_013São jovens e renovam, uma vez por ano, o talento desfilado no espaço Bloom do Portugal Fashion. Chegam ali por um processo de seleção encetado pelas escolas que os acolhem, que lhes abrem as portas e as passerelles. Apresentam-se jovens, costuram-se designers.

Mudaram de nome com o passar dos anos, mas as raízes não se deslocaram. A Escola de Moda do Porto (EMP, ex-Escola Gudi), a Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos (ESAD) e o Modatex (Ex-Citex) retraçam, a cada ano, a vontade de renovar a fileira da moda nacional e levam ao calendário do Portugal Fashion os seus mais promissores púpilos.

Na edição que comemorou os 20 anos do certame – e há duas décadas alguns ainda não eram sequer nascidos –, cinco alunos de cada uma das escolas pisaram a passerelle do espaço Bloom (ver Encontrar o Norte) e, numa versão diferente de Hänsel e Gretel, deixaram coordenadas de um futuro possível para o design de moda (ver Olhar em frente).

A ajudar a definir esta rota estão aos professores, coordenadores e formadores dos cursos, verdadeiros amuletos de bastidores que procuram garantir que tudo acontece como aqueles jovens sonharam. A fashionup.pt sentiu o pulso acelerado aos três clãs e escutou Hugo Costa (EMP), Maria Gambina (ESAD) e Luís Parada (Modatex), maestros destas e de outras orquestras que procuram evitar o ruído da grande atuação dos jovens músicos.

 

Ensino profissional de moda

Fundada em 1972, sob o nome de Escola Gudi, a Escola de Moda do Porto dedica-se ao ensino profissional de jovens e menos jovens na área da moda, apostando num ensino qualificado que dota os seus alunos de competências técnicas e criativas.

A 24 de outubro, último dia de Portugal Fashion “Celebration”, os cinco alunos selecionados por um percurso escolar singular e consequente mérito na Prova de Aptidão Profissional (PAP) desfilaram, sob o olhar de Hugo Costa, – formador desde 2012 na EMP –, que também começou a dar os primeiros passos como designer no espaço Bloom antes de saltar para a passerelle principal.

Formador, coordenador, orientador, «família até». Hugo Costa encara com orgulho a possibilidade de lhes pegar na mão naquele dia. «É um orgulho incrível estar aqui com eles, hoje, a ajudá-los e eles terem dito que gostavam que eu estivesse aqui», confessa à fashionup.pt momentos antes do tiro de partida. «Acompanho-os quase desde o seu início na escola. Numa fase que é fundamental para educá-los, até como profissionais do que quer que sejam no futuro», acrescentou com uma expressão de dever cumprido.

A uns passos de Hugo Costa, está Sílvia Rocha,18 anos, que desenhou a coleção “Elemental”. Dos materiais que dão forma às suas propostas destacam-se a pele, a organza e o tule, mas também a madeira nos acessórios e no calçado. E da improbabilidade desta matéria-prima escreveu-se um capítulo de streetwear – o primeiro de cinco.

«As peças foram todas trabalhadas por formas, tentando aplicar, ao estilo de streetwear, materiais não prováveis como a organza, raramente utilizada», explica Sílvia Rocha, que se encontra a estagiar no atelier de Hugo Costa.

Desprevenido, entre os últimos retoques e de ferro na mão, está Marco Moura.

Numa expressão mais gráfica, o jovem que estagiou com a designer Daniela Barros levou à passerelle as propostas de “Multiple Exposure”, uma coleção de pegada sportswear inspirada pelo movimento fotográfico de igual designação que procura sobrepor várias imagens numa só. «Tentei sobrepor vários gráficos e tentei tornar a coleção muito experimental», afinal está «na idade disso». Sobre os seus planos para o futuro, Marcou Moura diz querer «aprender sempre mais e mais».

 

Amigos, amigos

Coleções à parte? «Esta turma tinha uma linha de raciocínio que se aproximava», aponta Hugo Costa, remetendo-se à estética streetwear como denominador comum das coleções apresentadas este ano. «Temos aqui cinco alunos com características muito semelhantes e até gostos muito parecidos. Curiosamente, são todos amigos! Há um verdadeiro existir em grupo. Mas depois têm abordagens completamente diferentes aos mesmos elementos», acrescenta.

E, na continuação da 37ª edição do Portugal Fashion, a passerelle tilintante do espaço Bloom recebeu ainda os restantes três capítulos de streetwear, escritos pelos alunos da EMP.

Alexandra Teixeira apresentou uma versão sombria e monocromática em “Second Life”, coleção inspirada numa música da banda americana Of Mice & Men, que explica «a pessoa certa e a pessoa errada dentro de cada um», afirma a jovem criadora de moda.

Já as propostas de Anabela Rodrigues surgem estruturadas e em volume. “Klecks” partiu de uma pesquisa de imagens relacionadas com o transtorno bipolar e o seu nome deve-se ao teste Rorschach, que, apesar de não ser uma cura para este transtorno, constitui um dos mecanismos utilizados para traçar a doença. O objetivo foi «fazer uma coleção com peças reversíveis, que possam marcar e vincar a ideia de bipolaridade, do positivo/negativo e do preto/branco apenas», desvenda Anabela Rodrigues.

Em “Khalil”, Sofia Rocha propôs uma coleção em diálogo com Khalil Chistee, artista que executa esculturas em sacos de plásticos derretidos. «Em “Khalil” pretendo transmitir uma coleção prática e sportswear, com tecidos fluídos que contrastam com outros mais pesados», conta a jovem designer. Preto, branco e azul foram as cores dominantes em peças entrecortadas por fechos em sítios menos prováveis.

«E tu não és nada mais, nada menos do que um orientador. Já não estás a ensinar, estás a orientá-los, só isso», resume Hugo Costa o melhor que pode o seu papel entre dois cenários: corredores de escola e passerelle do Bloom.

 

Ao longo das próximas semanas, a fashionup.pt vai continuar a fazer o levantamento da intervenção das escolas e dos jovens talentos na última edição do Portugal Fashion.

 

 








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