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Competitividade em foco em Paris

Destaques / Eventos / 18 Fevereiro, 2016

O fim de algumas rotas da TAP a partir do Porto, a falta de apoios para as grandes empresas e as questões relacionadas com a energia foram alguns dos entraves à competitividade e exportação da indústria têxtil e vestuário apontados pelos empresários portugueses presentes na Première Vision Paris durante a visita do Secretário de Estado da Internacionalização.

O primeiro dia da feira – que reúne fios, tecidos, acessórios, couro, design têxtil e confeção – deu já sinais positivos para os negócios dos cerca de 56 expositores portugueses presentes na Première Vision Paris, que decorre até amanhã, 18 de fevereiro.

«Tem estado com um bom movimento», afirmou Mário Jorge Machado, administrador da empresa de tecidos Adalberto Estampados. «Foi a primeira manhã, mas está movimentado», referiu também Fátima Antunes, administradora da fiação Filasa, que se estreia nesta edição do certame.

A visita do Secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, em resposta a um convite da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, foi, contudo, um dos destaques do dia de ontem. O representante do governo português esteve no Fórum de Tendências, organizado pela Associação Selectiva Moda, e percorreu os stands nacionais nas várias áreas da feira, trocando impressões com os empresários. Logo na primeira paragem, no espaço ocupado pela TMG, ouviu uma das preocupações atuais dos empresários do Norte: a possível eliminação de algumas rotas aéreas a partir do aeroporto do Porto. «É um transtorno, porque fazemos muito o tipo de viagem de ir de manhã e vir à noite e isto vai complicar bastante a logística», referiu Rita Ribeiro, business manager da empresa de tecidos, sediada em Vila Nova de Famalicão.

Mais a sul, na Covilhã, e alguns stands à frente, foi a vez de Paulo Augusto de Oliveira, administrador do grupo Paulo de Oliveira, dar voz a um outro entrave à competitividade das empresas, nomeadamente o custo da energia. «Investimos muito em energia solar e por lei não podemos colocar mais painéis solares, mas atualmente o que temos representa apenas 7% do nosso consumo de energia», frisou o empresário, que recebeu a promessa de Jorge Costa Oliveira de trocar ideias com o colega da energia. «É nestas fases iniciais de governo que se aproveita para se afinar algumas coisas em termos de políticas», realçou o Secretário de Estado da Internacionalização.

Paulo Augusto de Oliveira sublinhou ainda a falta de apoios existentes para as grandes empresas. «O país precisa de exportar e nós estamos aqui para dar o nosso contributo. Tínhamos projetado investimentos muito volumosos e estamos agora um pouco na expectativa, porque de facto o quadro comunitário do Portugal 2020 exclui-nos», indicou o administrador, referindo inclusivamente a falta de apoio para participar em feiras, que fazem com que China, Rússia e Turquia deixem de estar no projeto da empresa sem apoios.

Uma situação igualmente focada no stand da Calvelex. «Damos emprego a 700 pessoas e somos prejudicados com isso, porque somos considerados uma grande empresa», explicou César Araújo, administrador da empresa de confeção de vestuário, que deixou ainda a sugestão de que o apoio às empresas maiores passe «pelo Orçamento de Estado». O empresário sublinhou ainda o trabalho das empresas na criação parcerias – como a realizada entre a Calvelex e alguns expositores portugueses de tecidos também presentes na feira – para gerarem sinergias e aumentarem a competitividade do “made in Portugal” nos mercados externos.

Uma iniciativa elogiada pelo Secretário de Estado da Internacionalização, que se revelou impressionado com a presença nacional na Première Vision Paris. «Fiquei com muito boa impressão do conjunto de empresas aqui, que estão em várias áreas de especialidade e que são um exemplo claro da criatividade e do engenho que os nossos empresários têm nesses domínios. Fiquei muito impressionado, sobretudo, com algumas empresas que atingiram uma dimensão extraordinária e que têm contribuído significativamente para o aumento do emprego e das exportações», confessou ao Portugal Têxtil.

Ao «reconhecimento do trabalho que têm feito, pela resistência que tiveram durante a crise, pela capacidade de inovação que tiveram, pelo investimento que fizeram em tecnologia, em design», Jorge Costa Oliveira declarou ainda ao Portugal Têxtil a vontade de fazer alterações no acesso aos fundos comunitários. «É preciso ter presente que o quadro comunitário do Portugal 2020 foi negociado e está fixado com Bruxelas, mas vamos ver o que é possível fazer com o que existe, porque até ao fim do Portugal 2020 ainda falta muito tempo e o ideal seria que as medidas que foram criadas para proteger as pequenas e médias empresas não acabem por ter efeitos contraproducentes. São exatamente essas PMEs que nos fazem pedidos para que arranjemos mecanismos para que as grandes empresas também possam beneficiar de uma forma ou outra, desses apoios, para que possam produzir o efeito de arrastamento em várias feiras e mercados, como tinha acontecido no passado e que seria desejável que continuassem a produzir no futuro».

 



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