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As metamorfoses da Victoria

Designers / Destaques / 17 Novembro, 2015

Victoria-Beckham_glamour_2dec14_pa_b_720x1080A Posh. Pouco cantava – de semblante e guarda-roupa distintos, limitava-se a ser igual a ela própria. Vendeu, com Emma Bunton, Geri Halliwell, Melanie B. e Melanie C., 55 milhões de discos. Casou com um futebolista com quem teve quatro filhos e ganhou o título de rainha das Wags. Ergueu uma marca que, em 2014 cresceu 30%. Chegou a Hong Kong, mas já quer partir para o Dubai. Está nomeada para designer do ano pelos British Fashion Awards e é embaixadora da ONU desde 2014. Victoria Beckham tem 41 anos e quase tantas metamorfoses.

Victoria Adams era a mais velha de três irmãos. Em Hertfordshire, Inglaterra, os pais dedicavam-se a um negócio no ramo da electrónica que lhes conduziu um Rolls-Royce à garagem. A então adolescente teimava que o carro chamava demasiado à atenção e pedia para que fosse estacionado longe da porta de entrada da escola.

Sonhava com dança e, aos 17 anos, começou a estudar no Laine Theatre Arts, em Epsom, Surrey. Três anos depois, respondia a um anúncio no The Stage que lhe iria ditar o destino. Ingressou então numa girlsband chamada Spice Girls que, em 1996, provaria o sucesso mundial com o single “Wannabe”. Juntas, a Posh Spice (Victoria), Baby Spice (Emma), Ginger Spice (Geri), Scary Spice (Melanie B.) e Sporty Spice (Melanie C.) venderam 55 milhões de discos.

Em 1997 conheceu o futebolista David Beckham e, no espaço de dois anos, o casal teve o primeiro de quatro filhos e trocou alianças – o que lhe valeria o título de rainha das Wags (“Wives and Girlfriends of professional athletes”. Em português “mulheres e namoradas de atletas profissionais”).

O final das Spice Girls em 2000 (ainda que depois disso acontecessem diversas “reuniões”) acabaria por ditar o início da carreira atual de Victoria. A imersão oficial no universo da moda aconteceu quando desenhou uma coleção de jeans para a marca de denim Rock & Republic. Depois disso, o próprio estilo da ex-Spice sofreria a primeira metamorfose a caminho da apresentação irrepreensível que hoje embainha.

 

Estatuto de celebridade

Atualmente, Victoria Beckham tem o nome associado a uma marca de oito anos que emprega 150 trabalhadores num estúdio, em dois ateliers (em Londres) e num escritório (em Nova Iorque).

Galardoada com dois British Fashion Awards e nomeada para designer do ano na cerimónia que acontecerá a 23 de novembro, no London Coliseum, o sucesso da marca epónima de Victoria Beckham mediu-se em 30 milhões de libras (aproximadamente 42 milhões de euros) em 2013, num crescimento de 30% em 2014 e no primeiro aniversário de uma loja no Dover Street Market em setembro último – celebrado durante a London Fashion Week.

Sobre as hostilidades do mundo da moda, Victoria mostra-se afastada. «As pessoas dizem que a moda é uma indústria horrível, mas eu tive uma ótima experiência. Porquê? Não é por ser vista como uma celebridade. O produto é bom. A qualidade é boa. A venda é boa», afirmou ao The Telegraph.

Não obstante, a verdade é que, para muitos, o nome de Victoria Beckham estará sempre associado a uma celebridade, mais do que a uma designer. Não importa quão clássica e consciente seja a sua postura, esta continuará a ser fotografada para as galerias “cor-de-rosa” mais do que para as de estilo.

 

Ainda assim, a capacidade de reinvenção da Posh Spice nos últimos 20 anos não deixa ninguém indiferente e, em última análise, as suas roupas vendem.

Anita Barr, diretora de compras na Harvey Nichols salienta o apelo da insígnia junto da sua clientela. «Assistimos a um grande apetite pela marca estação após estação, quer na linha principal, quer na linha Victoria. O corte das suas peças encaixa num número de formas e tamanhos e isto tem feito da marca uma das mais desejáveis», revela.

A marca abarca a linha principal (que desfila na New York Fashion Week), a marca irmã Victoria, a Victoria Beckham (VVB), bem como uma gama de eyewear e acessórios – sobretudo bolsas, sendo que os sapatos deverão ser a próxima investida.

No encadeamento de consolidações de linhas (ver O tudo em 1 da Burberry), também Victoria Beckham decidiu fundir a VVB com a sua linha denim. «Alguns retalhistas sugeriram a fusão das duas», explicou a designer. «E quanto mais pensámos sobre isso, mais percebemos que fazia perfeito sentido fazer da VVB uma marca lifestyle. Veremos o que o cliente pensa. Eu estou muito entusiasmada com isto», acrescentou, adiantando ainda que uma linha de beleza está na calha para um futuro próximo._VIC0012 09-10-things-victoria-beckham-surf Victoria-Beckham-show-Spring-Summer-2016

No início do próximo ano, a marca abre as portas a um novo espaço em Hong Kong, parte integrante de um plano de expansão que procura chegar ainda ao Dubai, Nova Iorque e Miami. Nesta empreitada de sucesso, Victoria Beckham não deixa de referir o contributo da equipa que a acompanha. «Tenho uma excelente equipa a trabalhar comigo. Não faço isto sozinha», destacou.

As coleções de marca evoluíram em estilo e confiança no passar das temporadas e longe estão os tempos da primeira coleção tímida de 10 vestidos (que esgotou de imediato), ainda que as raízes sejam as mesmas: o estilo pessoal da designer.

«Acho que crescemos em confiança», afirma. «Visto-me diferente do que vestia naquela altura. Uso vestidos soltos e saltos rasos. Consigo expressar-me de outra forma. Quero evoluir de estação para estação. Não quero ser uma daquelas marcas das quais as pessoas já sabem o que vão ver. Quero sempre um elemento surpresa», advogou Victoria Beckham.

Má e boa vontade

Depois do mais recente desfile para a primavera-verão 2016, em Nova Iorque, muito do que ficou da colecção rica em cor, estampados e jogos de preto/branco foi a onda de comentários negativos nas redes sociais, devido à magreza das modelos que apresentaram as roupas da marca. «A nossa directora de casting falou com as agências de modelos e sabemos que todas as modelos são saudáveis. São novas, são magras, mas isso não quer dizer que estejam doentes. As pessoas são más nas redes sociais, não importa quem és», contrapôs a designer.

A sua ética de trabalho, para alguém a quem é atribuída uma fortuna maior do que a da rainha, é impressionante. Acorda às seis e seguem-se 1h40 minutos de exercício, seis dias por semana, antes de acordar os miúdos. Nunca vê televisão. No entretanto das coleções, viaja nas tours VB, que envolvem contactos com a imprensa, clientes e retalhistas. Este ano já se somaram presenças em Singapura, Hong Kong, China e Los Angeles.

No dia da entrevista ao jornal The Telegraph a rotina foi um pouco diferente. Depois de jantar e já com as crianças na cama, seguiu-se uma viagem para a Etiópia, na interpretação de outro importante papel: o de Embaixadora da Boa vontade da ONU.



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17 Novembro, 2015   
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