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A moda de um rapper

Designers / Destaques / 24 Novembro, 2015

tumblr_mhxc0oQhdw1ruqbd4o1_500nike-air-180-kanye-westEm 2007, Donda West publicou o livro “Raising Kanye: Life Lessons from the Mother of a Hip-Hop Superstar” que, entre outras informações acerca do percurso do filho, procura traçar a sua imersão no mundo da moda desde os 10 anos, altura em que recebeu o primeiro par de “Air Jordan”. Eleito pela Time como uma das 100 pessoas mais influentes de 2014, Kanye West tem fiéis discípulos e assumidos judas.

A carreira musical a solo – depois de trabalhos com Jay-Z, entre outros nomes sonantes do Hip Hop – começaria oficialmente em 2004, com o lançamento do álbum The College Dropout, sendo que, depois deste, outros se seguiram num trajeto de sucesso ímpar, que lhe garantiu 21 Grammys. A música – carreira na qual se destaca a mais recente parceria com Rihanna e Paul McCartney em Four Five Seconds – ramificou-se depois noutras áreas como a participação política (West anunciou há meses a candidatura às presidenciais dos EUA em 2020), a intervenção em causas sociais (como a luta contra a homofobia) e, de forma mais evidente, a moda – incluindo, por exemplo, uma selecção de indumentárias que começa em Givenchy (ver O 5º elemento do Hip Hop) e termina em Vêtements (ver Em nome do anonimato).

Apesar das críticas e dos consideráveis detratores, Kanye West soube escrever o seu nome na passerelle e nos anais da moda com igual determinação, em troca de favores, com criativos colaboradores e, até, com ensinamentos da desaparecida Louise Wilson – professora na Central Saint Martins, Londres, que teve na sua pauta alunos como Alexander McQueen, Jonathan Saunders ou Christopher Kane.

Em última análise, todos os olhos estão em Kanye West. Quer seja num concerto da tour Yeezus, numa passadeira vermelha com a mulher Kim Kardashian, no lançamento de uma colaboração de inigualável impacto com a Adidas ou num desfile de última hora durante a semana de moda de Nova Iorque (ver A arte do inesperado).

Tudo terá começado cedo, uma vez que, desde criança, o rapper afirmava querer ser designer. Aos 10 anos ganhou o primeiro par de sapatilhas “Air Jordan” e afirmava preferir a qualidade à quantidade, evitando as famosas lojas Marshalls e adorando as marcas do luxo.

 

O fantasma de Pastelle

De forma mais concreta, a incursão do músico na moda começou, também, em 2004 no vídeo musical de “The New Workout Plan”, onde usa uma camisola com um urso bordado, chamado “Dropout Bear”, que acabaria por se tornar mascote e marca registada de West.

Um ano depois, o cantor anunciava o seu primeiro parto na moda, com a criação da marca Pastelle, apresentada no arranque da sua editora discográfica G.O.O.D. (responsável pelo lançamento de nomes como John Legend) e da Kanye West Foundation. «Agora que tenho um Grammy e o álbum Late Registration está terminado, estou pronto para lançar a minha linha de roupa na próxima primavera», declarava o rapper na altura.

Em 2006, Kanye West dava os primeiros passos no sector do calçado, criando vários pares da coleção “The College Dropout Nike Air Max 180”. Todavia, a gama nunca foi disponibilizada comercialmente e apenas alguns modelos ficaram disponíveis. Algo semelhante aconteceria com a Pastelle, confinada ao esquecimento.

Mais um ano passado, e ainda que não seja incluída oficialmente no seu CV, acontece uma colaboração com Alain Mikli para os concertos do vídeo de “Stronger” e durante a tour “Glow in the Dark”. Os óculos acabariam por se tornar um fenómeno.

Nesta altura, West começa a dar sinais de que o próximo passo seria entrar no reino da moda de forma efetiva.

Em 2009 chegava a confirmação do fim da Pastelle, depois de quatro anos de sucessivas promessas de princípio. Porém, e na nuvem de controvérsia formada durante os MTV VMA – onde roubou o microfone à recém-distinguida Taylor Swift para declarar que Beyoncé era a merecedora do prémio Best Female Video e se viu alvo de duras críticas na imprensa –, Kanye West preparava-se para entrar numa experiência de moda com outro nível de seriedade e comprometimento.

O rapper ingressou num estágio na Gap para perceber o funcionamento da indústria de dentro para fora. Depois disso, mudou-se para o Japão e, em seguida, fez escala em Roma, para estagiar na icónica Fendi.

 

O sabor da passerelle

O ano de 2011 acabaria por marcar a grande estreia de Kanye West na passerelle. Uma dura estreia, aliás, em Paris.

O desfile durante a semana de moda da capital francesa contou com uma distinta fila A, na qual se destacavam todos os críticos de moda. Infelizmente, a assistência não podia ter sido mais cruel, endereçando pesadas críticas ao desfile do músico. «A coleção de Kanye West imitou tanto a Givenchy que é embaraçoso que Riccardo Tisci tenha sido convidado a assistir», escreveu Christina Binkley na sua crítica no Wall Street Journal.

Como é seu apanágio, a resposta de West não tardou em chegar. «Esta é a minha primeira coleção. Por favor sejam brandos. Dêem-me hipótese de crescer», disse, entre outras palavras menos simpáticas.

Março de 2012 marcava a segunda dentada do rapper no bolo da moda. Mais casacos estilo motard e mais pelo, menos looks (20, no total) e menos críticas arrasadoras – ainda que se tivessem mantido as comparações com Riccardo Tisci na Givenchy.

O fim de 2012 chegava com a previsão Maia sobre o fim do mundo e com o anúncio do fim da passerelle de Paris para Kanye West, que batia em retirada da Cidade-Luz.

Seguir-se-ia depois uma coleção cápsula com a A.P.C. e o sucesso foi imediato, ficando as prateleiras vazias quase de imediato e até obrigando ao encerramento temporário do website da marca.

Entretanto, Kanye West cortava relações com a Nike, decisão justificada com royalties insuficientes sobre as Air Yeezy e o atraso da marca no lançamento das sapatilhas Red October. Começava a parceria com a Adidas por 10 milhões de dólares (aproximadamente 9 milhões de euros).

Em 2014, acontece uma segunda ligação com a marca francesa A.P.C,. que incluía já looks completos.

Um ano depois, a apresentação da colaboração com a Adidas representava uma viragem na contribuição do rapper no mundo da moda.

A Yeezy Season 1 marcava o regresso de Kanye West à passerelle, mas desta vez havia uma arma secreta: a artista Vanessa Beecroft. Apesar de os dois já terem colaborado em diferentes projetos em 2008, este reencontro teve um impacto positivo junto dos críticos, que sentiram que West estava redimido dos pecados de moda passados.

 

Kanye-West-x-Adidas-Originals-Fall-2015-Ready-to-Wear50-400x600-400x600Última hora

O percurso seguiria constante em controvérsia e, em setembro de 2015, a Yeezy Season 2 em colaboração com a Adidas foi “mais do mesmo”. A apresentação, transmitida ao vivo nos cinemas americanos, apanhou todos de surpresa ao ser anunciada pelo rapper para lá dos limites do calendário de desfiles da mostra.

O designer pôs à venda bilhetes para o seu desfile apenas com algumas horas de antecedência mas, ainda assim, levou uma enchente ao evento. Na fila da frente estavam sentados, para além da mulher Kim  e restante família Kardashian, o humorista Seth Meyers, o atleta Michael Strahan e a cantora Lorde.

Para fechar o desfile, Kanye West deu a conhecer a sua nova música “Fade”, que causou furor junto dos fãs.

De novo com a ajuda de Vanessa Beecroft, West encenou uma apresentação onde os modelos marchavam silenciosamente, vestindo uma mistura de básicos e roupa interior inspirada em uniformes do exército.

Nem todos ficaram agradados com a notícia, alegando que o desfile da Yeezy iria sobrepor-se a outros agendados atempadamente, o que causaria grande transtorno à organização. Ainda assim, a verdade é que, no final do dia, as coleções de Kanye West – quer pertença ao músico o mérito de design ou não – desaparecem mal chegam e dividem opiniões, o que, em última análise, é o cunho de qualquer artista.

 








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24 Novembro, 2015   
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