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A arte da negação

Destaques / Tendências / 23 Setembro, 2015

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Os “nodels”(non-model – não modelo) tomam agora conta dos desfiles, numa verdadeira negação aos estereótipos da sociedade e às definições do belo na moda. Os castings da indústria estão a mudar e as pessoas começam a ser mais importantes do que as roupas, analisa o The Guardian.

No passado, os modelos passavam despercebidos entre as tantas e arrojadas propostas dos criadores. Talvez pela sua extrema semelhança.

Mas, nestas últimas temporadas, quem desfila tem ganho destaque em relação ao que é desfilado. A explicação pode residir no facto de a diferença começar agora a entrar nos dicionários de uma indústria que, apesar de estar normalmente na vanguarda, mantinha velhos hábitos nos seus castings (ver a propósito As regras do jogo).

Depois de toda a tinta corrida em torno da tentativa de abolição do termo “plus size”, vive-se uma nova era: a era do “nodel”.

É a palavra que marca os resumos da #NYFW, certame no qual o designer Mike Eckhaus (Eckhaus Latta) disse à Vogue que o seu elenco de modelos diversificado tinha por base uma «combinação entre modelos e ‘nodels’ – amigos e colegas. Acho que empresta uma textura mais dinâmica e qualidade às peças».

Nos desfiles desta temporada, que já passaram por Nova Iorque, Londres e estão  agora em Milão, ainda há uma proporção considerável de modelos de magreza extrema (o desfile de Victoria Beckham mereceu, a este propósito, reprovação do público), mas também há exemplos de diversidade que o público quer e espera continuar a ver na passerelle.

Modelos de diferentes tamanhos, com Síndrome de Down, braço biónico e de mobilidade reduzida desfilaram na “Big Apple”, onde apesar de tudo continuam a faltar modelos negras.

Em Londres, a atleta paraolímpica Stefanie Reid tomou conta da passerelle.

A moda experimenta a democracia e a assistência rejubila. Os desfiles ao vivo, abertos ao grande público e a interação entre criador e seguidor nas redes sociais estão a fazer soprar ventos de mudança e a moda, que contava histórias de designers semideuses, agora é das pessoas que compram as roupas.

E são os modelos que vestem as roupas, pelo que, de certa forma, são eles que representam o consumidor. E este vive numa sociedade cada vez mais multicultural e diversificada.

É verdade que as passerelles não definem ideais, mas refletem-nos. E, nesta linha de pensamento, o exército de modelos de rosto pálido, com ar adolescente e de peso e altura iguais não faz qualquer sentido.

Já o termo Nodel, ainda que soe a negação, não poderia estar mais correto.



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23 Setembro, 2015   
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