Considerando a atual profusão de desfiles mistos e coleções unissexo, e à medida que a sociedade vai desmontando os estereótipos de género, o facto de uma mulher ter passado 30 dias com roupas de homem pode ser notícia? Segundo os portais da especialidade, sim. Até porque, na vida real, continuam a existir dois guarda-roupas.
Lucy Rycroft-Smith decidiu vestir alfaiataria masculina durante um mês e partilhar a sua experiência com o mundo no The F Word, um portal feminista.
A trabalhar numa cidade grande e a viajar quatro a cinco horas diárias lado a lado com homens de fato, Rycroft-Smith poderia sentir-se desconfortável naquelas peças. Mas não foi o caso.
Por mais “masculina” que a alfaiataria possa ser, Lucy Rycroft-Smith encontrou nas peças de homem o fitting que nunca tinha encontrado nas propostas de moda feminina. Rycroft-Smith comenta que um guarda-roupa formal para mulher implica, tradicionalmente, fittings justos e saltos altos e que a alfaiataria masculina permite uma dose de conforto extra e, mais do que isso, simplificação. Não há tanta variedade e a escolha concentra-se num conjunto reduzido de peças.
As diferenças estenderam-se, também, ao calçado, com Lucy Rycroft-Smith a perceber que o calçado masculino era muito mais confortável do que o feminino. Como resultado, depois de 30 dias em roupas masculinas, tornou-se uma adepta fervorosa do menswear, abandonando o soutien e trocando os saltos altos pelos clássicos brogues.
«Nunca usei roupas que me fizessem sentir tão confortável, tornou-se tão fácil regular a minha temperatura corporal e as peças tinham um fitting tão simples e lisonjeiro», afirma ao jornal The Independent. «Hoje, quando visto calças de alfaiataria de mulher – que à primeira vista podem parecer semelhantes às dos homens – percebo quão apertado e implacável é o seu corte», acrescenta.
Depois da experiência, Lucy Rycroft-Smith questiona também por que motivo não podem as mulheres comprar diretamente na secção de moda masculina e se continuam a oferecer coleções unissexo nas secções de mulher.
Contudo, nem só os fatos de homem apelam às mulheres e, já nos anos 1920, Coco Chanel roubava os pijamas aos seus amantes e, desde sempre, as mulheres têm usurpado a clássica camisa branca, o vestuário desportivo e as t-shirts estampadas aos companheiros. De igual forma, quando se trata de denim, os trendy jeans de silhueta boyfriend podem ser trocados por uns jeans do namorado ou, na falta dele, comprados na secção de homem.
Nesta época do ano, multiplicam-se também as malhas oversized, pelo que o menswear é o melhor repositório para estas peças.
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